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Comece o dia bem informado! 19 de agosto de 2026

Ensino integral aumenta aprendizado de alunos em vulnerabilidade

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 revela que 77 das 100 escolas de ensino médio com menor condição socioeconômica que se destacaram estão no formato de tempo integral. Um estudo conduzido pelo Instituto Sonho Grande e pelo Instituto Natura mostra como essa abordagem tem um impacto positivo na aprendizagem dos alunos, especialmente aqueles em situações vulneráveis.

Resultados Melhores nas Escolas de Tempo Integral

O levantamento constatou que, entre as 1.166 escolas integrais em níveis socioeconômicos II e III, a média no Ideb foi 0,6 pontos superior à das 1.713 escolas com ensino parcial do mesmo nível, resultando em uma diferença de 15%. Para os alunos mais vulneráveis, o impacto foi ainda maior: o desempenho no Ideb nessas escolas integrais foi quase 70% melhor em relação às que atendem estudantes em contextos menos desfavorecidos.

Maria Slemenson, superintendente de Políticas Educacionais do Instituto Natura Brasil, enfatizou a eficácia do ensino integral na promoção de oportunidades para os mais necessitados. “A qualidade educacional não deve ser vinculada somente à riqueza do território”, declarou, destacando a relevância do programa Escola em Tempo Integral do Ministério da Educação (MEC) na luta contra as desigualdades educacionais no Brasil.

Resultados do SAEB

Os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) 2025 reforçaram as observações sobre o ensino integral. Alunos de instituições de tempo integral de baixo nível socioeconômico obtiveram 23 pontos a mais em matemática em relação aos da modalidade parcial, o que equivale a 4,6 anos de aprendizado. Em língua portuguesa, a diferença foi de 21 pontos, correspondendo a 3,2 anos a mais de escolarização.

De acordo com Slemenson, as escolas integrais são mais eficientes em abordar as lacunas de aprendizagem, utilizando o tempo extra para aprofundar o conteúdo e revisar ensinamentos anteriores, prática difícil de implementar nas escolas de jornada parcial devido à limitação de tempo.

Promoção da Equidade Racial

Os resultados indicam que a abordagem integral também favorece a equidade racial. Aproximadamente 74% das escolas de tempo integral atendem alunos de perfil racial preto, pardo ou indígena (PPIs). Nessas instituições, onde mais de 80% dos alunos pertencem a esses grupos, a média do Ideb é de 4,9, superando a média de 4,3 das escolas parciais.

A análise realizada pelo Instituto Natura destaca que as políticas de tempo integral desempenham um papel crucial na redução das desigualdades de desempenho escolar por conta da raça e cor, promovendo um efeito equalizador.

Elementos do Sucesso

O êxito das escolas integrais vai além da simples ampliação da carga horária. Está atrelado a uma série de princípios pedagógicos, incluindo a elaboração de projetos de vida, acolhimento socioemocional, aprendizado prático e orientações de estudo. Slemenson sublinhou a relevância desse modelo, especialmente para alunos de baixa renda que, muitas vezes, não têm suporte familiar.

Desafios do Ensino Integral

Embora tenha havido crescimento, em 2025 há 4.235 escolas de ensino médio com jornada integral no Brasil, representando apenas 21% do total, com mais de 1 milhão de alunos ainda em escolas de jornada parcial. O Instituto Natura identificou que a principal barreira à implementação do ensino integral não é de natureza financeira, mas está relacionada à necessidade de uma gestão governamental eficaz e contínua.

O Piauí se destaca como um exemplo positivo, sendo o único estado a ter 100% de suas escolas estaduais em tempo integral. A transformação do sistema educacional nesse estado é vista como um modelo que pode ser replicado, mesmo em regiões com recursos financeiros escassos.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.