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Comece o dia bem informado! 20 de agosto de 2026

Indígenas pedem participação nas decisões da COP da Desertificação

Nesta quinta-feira (20), a capital da Mongólia, Ulaanbaatar, foi palco de manifestações por parte de indígenas de diversas regiões do mundo, durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17). Os manifestantes exigem uma verdadeira inclusão nas negociações oficiais, questionando a criação do Caucus Indígena, que consideram uma mera fachada simbólica.

A líder Oumarou Ibrahim Hindou, que representa a Associação das Mulheres Indígenas Peules do Chade, sublinhou a importância do respeito aos povos tradicionais. Segundo ela, a participação dos indígenas deve ser significativa, não apenas uma formalidade, como um reconhecimento de seus direitos e conhecimentos essenciais para a conservação das terras. “Estamos prontos para lutar”, disse. “Não haverá COP sem as pessoas da terra”, enfatizou.

A luta por representação

Os indígenas presentes também pediram a reinclusão de questões sobre gênero e participação social na agenda oficial da conferência, temas que foram retirados a pedido dos Estados Unidos. Para que os documentos que orientarão futuras negociações sejam aprovados, é imprescindível o consenso entre as 197 partes da convenção.

Sonia Astuhuamán Pardavé, líder quechua do Peru, reforçou o pedido por mais espaço nas discussões, ressaltando que os povos indígenas são fundamentais na proteção do meio ambiente. Ela alertou para os danos que a escassez de recursos pode ocasionar, o que, por sua vez, afetaria negativamente as próximas gerações.

Declaração de Ulaanbaatar

Em um evento paralelo, foi apresentada a Declaração de Ulaanbaatar: Apelo à Ação Global de Povos Pastoris e Indígenas, que evidencia a relevância dessas comunidades na conservação da biodiversidade e na gestão das pastagens. O documento contesta a noção de que o pastoreio é responsável pela desertificação e defende o reconhecimento dos direitos territoriais desses povos.

Dentre as demandas, destaca-se a necessidade de adaptação às mudanças climáticas e a mobilidade, considerada essencial. A declaração solicita que o governo implemente medidas para proteger os corredores de circulação e assegurar acesso constante a recursos vitais, além de exigir financiamento direto para iniciativas comunitárias, sem intermediários envolvidos.

Os signatários pedem também que a Declaração de Ulaanbaatar seja inserida nos resultados oficiais da COP17 e anunciaram planos de organizar um novo encontro global para povos pastoris e indígenas em 2030.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.