A intensa pressão popular fez com que o governo argentino, sob a liderança de Javier Milei, decidisse retirar um projeto polêmico que visava ampliar a venda de terras para estrangeiros. Este movimento foi motivado pela forte lembrança da Guerra das Malvinas, que gerou um clamor em diferentes segmentos da sociedade, unindo pessoas da política, arte e esportes.
Reação à proposta de “estrangeirização”
Conhecido como “estrangeirização das terras argentinas”, o projeto estava agendado para votação na quinta-feira (6), mas foi adiado após a mobilização de governadores de várias partes do espectro político, além da participação de artistas e celebridades, como o jogador Lisandro Martinez. Contudo, o governo decidiu seguir adiante com a análise de outra proposta que facilita a venda de áreas protegidas que sofreram com incêndios florestais.
A versão do projeto que seria submetida à votação se mostrava menos rigorosa do que a inicial, que pretendia eliminar todos os limites à venda de terras para estrangeiros. Na nova proposta, estabelece-se que 25% das terras em cada província podem ser adquiridas por estrangeiros, aumento em relação aos 15% de antes.
O papel das Malvinas nas manifestações
As mobilizações estavam centradas na frase “as Malvinas são argentinas”, utilizada por jogadores da seleção argentina, que despertou um sentimento nacionalista em resposta à tentativa da administração em promover a nova legislação. Hernán Hougassian, um ambientalista envolvido nas manifestações na capital, destacou que esse sentimento coletivo impulsionou os protestos, reafirmando a ligação histórica com a soberania territorial.
Artistas como Lali Espósito e a dupla Milo J e Nicki Nicole também aderiram aos protestos, ampliando a visibilidade da causa. De acordo com o cientista político Leandro Gabiati, uma ampla coalizão se formou, pressionando a administração de Milei a recuar, o que foi acentuado por divergências dentro do próprio governo, em especial a resistência da vice-presidente Victoria Villarruel.
Pontos futuros e medidas relacionadas
Embora o projeto de venda de terras tenha sido suspenso, o governo Milei informou que está “reavaliando” a proposta, sem, no entanto, apresentar um plano definido para trazê-la de volta ao Senado. Essa proposta faz parte de um conjunto maior de reformas que incluem a “Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada”, a qual visa acelerar despejos, dificultar expropriações e permitir a venda de áreas que antes eram protegidas.
Críticos, como Hougassian, levantam preocupações sobre os riscos de permitir que grandes proprietários desenvolvam projetos em áreas afetadas por incêndios, possivelmente utilizando práticas prejudiciais para driblar as restrições ambientais. A legislação anterior proíbe a venda desses terrenos por um período de três décadas, uma iniciativa destinada a evitar abusos.
O governo defende que as leis vigentes são excessivas e prejudicam o direito à propriedade, mas a pressão popular e o receio pela integridade ambiental continuam a mobilizar a sociedade argentina contra essas alterações.
Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.