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Comece o dia bem informado! 21 de agosto de 2026

Estudo aponta que ensino integral acelera aprendizado de vulneráveis

Recentemente, um estudo destacou que o modelo de ensino integral tem um impacto considerável no desempenho acadêmico de alunos em situações vulneráveis. Segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, 77 das 100 melhores escolas de ensino médio, avaliadas pelo desempenho, operam sob essa modalidade, mesmo com um baixo nível socioeconômico.

Resultados do Ideb e impacto socioeconômico

Os dados da pesquisa, realizada pelo Instituto Sonho Grande e o Instituto Natura, mostram que as instituições públicas que adotam o ensino integral apresentam um rendimento superior em todas as camadas socioeconômicas. Com um Índice Socioeconômico (INSE) mais desfavorecido, as 1.166 escolas que oferecem essa modalidade apresentam uma pontuação 0,6 pontos maior no Ideb em comparação às 1.713 escolas que trabalham com o modelo parcial, resultando em um incremento de 15% no desempenho.

A superintendente Maria Slemenson, do Instituto Natura, reconhece o ensino integral como a iniciativa mais efetiva para combater a desigualdade educacional no Brasil. Ela ressalta que este modelo comprova a viabilidade de um aprendizado melhor, independentemente da capacidade financeira das famílias ou das condições fiscais do estado.

Desempenho em avaliações nacionais

Os efeitos positivos do ensino integral também se refletem nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2025. Alunos de escolas integrais que pertencem a estratos socioeconômicos baixos atingiram 23 pontos a mais em matemática em comparação a colegas de instituições de ensino parcial, o que representa um acréscimo equivalente a 4,6 anos de aprendizado. Em língua portuguesa, essa diferença foi de 21 pontos, correspondendo a uma aceleração de 3,2 anos no processo educacional.

A importância da inclusão na educação

O estudo também aborda a inclusão racial, destacando que as escolas integrais conseguem atender de forma eficaz a maior parte dos alunos pretos, pardos e indígenas (PPIs). Aproximadamente 74% das escolas em tempo integral possuem esse perfil racial. Nas instituições que acolhem mais de 80% de estudantes desse grupo, a média do Ideb é de 4,9, em contraste com 4,3 nas escolas parciais, representando um avanço de 0,6 ponto.

Pilares da educação integral

O êxito do ensino integral não se resume a uma carga horária maior; a abordagem pedagógica é fundamentada em pilares interligados que incluem a construção de um projeto de vida, suporte socioemocional, aprendizado prático e orientação nos estudos. Esses componentes são indispensáveis para fortalecer a educação de estudantes de baixa renda, que geralmente carecem de apoio fora do ambiente escolar.

Desafios e oportunidades para a expansão do modelo

No Brasil, existem atualmente 4.235 escolas de ensino médio em tempo integral, o que representa 21% do total, com cerca de 214 mil matrículas. Em contraste, o modelo parcial atende mais de 1 milhão de estudantes. Embora a expansão enfrente desafios, uma gestão eficaz e um compromisso político podem facilitar a transição de escolas parciais para integrais, como demonstrado pelo Piauí, que possui todas as suas escolas estaduais de ensino médio sob a modalidade integral.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.