A Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM) tem mudado a dinâmica econômica das mulheres na região por meio de sua cozinha, que valoriza a ubarana, um peixe que antes não recebia a devida atenção. Essa proposta, além de reativar saberes tradicionais, enfatiza como a gastronomia pode gerar renda e fortalecer os vínculos comunitários.
Reinventando pratos
Na Cozinha das Caranguejeiras, a criatividade das mulheres se reflete em receitas como estrogonofe, almôndegas e risoles feitos com ubarana. Essas criações utilizam técnicas culinárias que passaram por gerações, elevando o status do peixe em almoços e encomendas. Márcia Regina, uma das colaboradoras com 40 anos de experiência na pesca, compartilha que a cozinha é um espaço que vai além da economia, promovendo acolhimento e troca de saberes.
“A culinária nos auxilia em momentos complicados, muitas vezes enfrentamos problemas emocionais, e aqui encontramos apoio e compartilhamos nossas histórias”, menciona Márcia, que ocupa o cargo de auxiliar geral e também é secretária da ACAMM.
Histórico e valorização do peixe
A atividade das caranguejeiras começou na exploração dos manguezais do Rio Suruí, onde sempre coletaram caranguejos e utilizavam a ubarana para consumo pessoal. Com a formação da associação, expandiram suas atividades para vendas. A bióloga Verônica Souza, do Projeto Andadas Ecológicas, destaca que, apesar das espinhas finas que complicam o preparo da ubarana, sua versatilidade na cozinha ajudou a valorizá-la. “Elas descobriram como preparar o peixe de modo que as espinhas não sejam um impedimento, tornando-o mais atrativo”, observa Verônica.
Impactos sociais e de conservação
Hoje, a Cozinha conta com a participação de 15 mulheres, cujos ganhos são complementados pela venda dos pratos. Essa iniciativa ainda beneficia 24 famílias, incluindo pescadores que usam o espaço para eventos. Rafael Santos, presidente da ACAMM, realça a relevância das ações de conscientização ambiental, como o reflorestamento dos manguezais, essenciais para a continuidade das atividades pesqueiras na área.
“Cada prato servido ajuda a preservar o ecossistema, vital para a sobrevivência de diversas espécies marinhas”, ressalta Santos. Desde o início do ano, a comunidade removeu mais de 12 mil quilos de lixo do Rio Suruí, seguindo com a Operação LimpaOca.
Turismo como alternativa
A ACAMM também fomenta o Turismo de Base Comunitária, promovendo a riqueza da Baía de Guanabara e suas belas paisagens. Santos observa que as visitas à Cozinha das Caranguejeiras vão além de apenas fornecer alimentação, já que também buscam educar os turistas sobre questões ambientais.
“A Cozinha se converte em um espaço educativo, unindo aprendizado sobre práticas sustentáveis às delícias preparadas com a ubarana”, conclui ele.
Colaborações e projetos de apoio
A ACAMM e a Cozinha das Caranguejeiras contam com a assistência do Projeto Andadas Ecológicas, que se dedica a ações de educação ambiental e sustentabilidade na região, em parceria com a Petrobras. Este projeto é resultado da escuta ativa das lideranças locais e busca promover ações voltadas à conservação.
Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.
