Uma nova espécie de peixe, que habitou a Terra há cerca de 254 milhões de anos, foi descoberta em um estudo recente desenvolvido em colaboração com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A pesquisa enfocou um fóssil de notável estado de conservação encontrado em Alto Garças, Mato Grosso, que fornece informações valiosas sobre os ecossistemas da América do Sul durante um período crítico da história geológica.
O peixe, classificado como pertencente ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas (actinopterígios), mede aproximadamente 15 centímetros de comprimento. Uma das suas principais características é a armadura corporal formada por escamas reforçadas de dentina e esmalte, materiais que se assemelham aos dos dentes humanos.
O nível de preservação do fóssil é considerado excepcional. Enquanto muitos peixes daquela época são conhecidos apenas por dentes e ossos fragmentados, o espécime de Leolepis mantém quase toda a sua estrutura, sendo o melhor preservado desse grupo já encontrado em Mato Grosso. Esta descoberta é vista como rara em uma perspectiva global.
Durante o Permiano Superior, o Leolepis existia em um vasto ambiente aquático, numa época em que América do Sul e África formavam o supercontinente Gondwana. Os pesquisadores sugerem que, devido ao pequeno tamanho dos dentes do peixe, sua dieta incluía pequenos invertebrados e vegetação aquática. Esse achado é valioso para entendermos um ecossistema que precedeu a maior extinção em massa da história, a Permo-Triássica, que eliminou aproximadamente 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas há cerca de 252 milhões de anos.
A descoberta do fóssil é ainda mais intrigante devido à sua proximidade com a cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem conservada estrutura desse tipo na América do Sul, localizada a apenas 50 quilômetros de distância.
A pesquisadora Valéria Gallo, do Departamento de Zootecnia da Uerj, sublinhou a importância desse achado, afirmando que a preservação do fóssil vai permitir que cientistas identifiquem a espécie em outras regiões da Bacia do Paraná e realizem novas correlações entre diferentes formações geológicas.
O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira e, após a coleta, foi disponibilizado para estudos. Atualmente, ele se encontra na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.
Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.
