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noticiasmanha 29 de agosto de 2026

Dia do voluntariado promove saúde mental para vulneráveis

A celebração do Dia Nacional do Voluntariado nesta sexta-feira (28) traz à tona a relevância do trabalho de psicólogos que atuam em prol de indivíduos em situações de vulnerabilidade, especialmente em tempos de crises e catástrofes globais. A psicóloga Esly Carvalho, que acumula mais de 45 anos de prática, decidiu dedicar sua carreira às causas humanitárias após atuar com vítimas de desastres naturais, e sua contribuição tem sido transformadora tanto para aqueles que recebe quanto para ela própria.

Ela se especializou na terapia EMDR, uma abordagem que visa aliviar o estresse pós-traumático ao desbloquear memórias dolorosas. Na Venezuela, Esly criou um programa em resposta ao recente terremoto que resultou em mais de 6 mil mortes, com a missão de capacitar profissionais locais a oferecerem um suporte adequado às vítimas. Até o momento, já formou mais de 100 profissionais e, através dessa colaboração, cerca de 500 pessoas conseguiram acessar assistência.

A psicóloga também realiza atendimentos regulares online, mas enfatiza a necessidade de capacitar indivíduos nas áreas mais afetadas, garantindo uma assistência contínua. “O voluntariado ocupa um espaço muito especial no meu coração”, afirma Esly.

De seis amigos a milhares de voluntários

Uma história inspiradora teve início em São Paulo em 2017, quando seis amigos, motivados por suas experiências pessoais com a depressão, decidiram criar um projeto de apoio à saúde mental. Começaram a deixar mensagens de esperança em lugares públicos e, com o tempo, esse pequeno grupo se transformou em uma rede de 7 mil voluntários atuando em todo o Brasil por meio do projeto Help.

Felipe Santos, coordenador nacional do projeto, destaca a criação de um “cantinho do desabafo” em espaços como rodoviárias e parques, além de atendimentos remotos pelo WhatsApp. Recentemente, a equipe prestou suporte na estação de trem de Francisco Morato, focando especialmente nos jovens, que enfrentam altos índices de ansiedade e depressão.

Cuidando da saúde mental na juventude

No âmbito das Forças Armadas, o militar Thiago Domingos, de 31 anos, tornou-se voluntário ao tomar conhecimento de casos de suicídio entre jovens. Ele lidera um projeto de prevenção que oferece apoio psicológico para aqueles sem acesso a profissionais. “Nos últimos anos, atendemos cerca de 5 mil pessoas”, ressaltou. O projeto conta com a colaboração de 15 psicólogos voluntários que realizam atendimentos regulares.

Uma das voluntárias, Juliana Cei, encontrou um novo propósito na iniciativa e notou um aumento na busca por ajuda, especialmente entre mulheres. Ela enfatiza a importância de ouvir as histórias de vida dessas pessoas, destacando que muitos jovens lidam com solidão e a falta de vínculos familiares. “Estamos enfrentando uma epidemia de solidão”, comentou.

Apoio às margens da sociedade

Lucas Hedler, psicólogo de 45 anos, se dedica a atender prioritariamente a comunidade LGBTQIA+. Ele fundou um grupo de apoio focado em discutir inseguranças e traumas que afetam esse público. Lucas observa que é comum encontrar discriminação nos lares, fazendo da rua um espaço mais seguro em comparação com seus lares familiares.

“A pandemia trouxe uma série de desafios para as pessoas trans. Muitos foram agredidos e expulsos de casa”, lamentou. Sua intenção é expandir o atendimento a essas comunidades vulneráveis, sempre considerando uma abordagem acolhedora e inclusiva.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.