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Um terço dos usuários de internet enfrenta tentativas de golpe

Recentemente, uma pesquisa indicou que cerca de 45 milhões de internautas brasileiros, com idades a partir de 16 anos, relataram ter enfrentado tentativas de fraude com seus dados pessoais. Dentre esse total, 20% efetivamente se tornaram vítimas de golpes.

Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira (31) no 17° Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, que ocorreu no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. Essa pesquisa faz parte da terceira edição de “Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil”, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), associado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

Executada em dezembro de 2025, a pesquisa contou com a participação de 2.500 pessoas e teve como objetivo analisar as percepções sobre privacidade, além das práticas que os usuários adotam em relação ao uso de seus dados pessoais por terceiros. Segundo Winston Oyadomari, coordenador do estudo, esta é a primeira vez que tentativas de golpe são abordadas diretamente.

Modalidades de golpe mais comuns

Diversos canais são utilizados para tentativas de golpes. A maior parte, com 84%, ocorre por aplicativos de mensagem, seguida por ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos fraudulentos (71%), SMS (71%), e-mails (69%) e redes sociais (67%). Oyadomari destacou que até mesmo pessoas sem habilidades digitais estão vulneráveis a essas fraudes.

Além do risco de perdas financeiras, o estudo revela que os golpistas podem comprometer o acesso a serviços públicos, como o Gov.br, ao controlar contas de e-mail. “A perda de acesso pode afetar significativamente, não só financeiramente, mas também na capacidade de acessar serviços essenciais”, advertiu.

Impacto emocional e escolaridade

Os dados apontam que muitos usuários que enfrentaram tentativas de fraude relataram estresse e desconforto. Oyadomari observou que indivíduos com menor nível de escolaridade tendem a ser alvo de golpes com mais frequência. “Embora todas as faixas de escolaridade sejam suscetíveis, os efeitos são frequentemente mais graves para aqueles com menor formação”, afirmou.

Diante disso, o coordenador defende que a discussão sobre proteção de dados deva ser integrada ao aprimoramento das habilidades digitais da população, a fim de criar um ambiente online mais seguro.

Uso de inteligência artificial

Outra frente da pesquisa abordou como os brasileiros interagem com ferramentas de inteligência artificial generativa. Embora essas ferramentas sejam utilizadas principalmente para fins profissionais ou acadêmicos (73%), muitos também as recorrem para apoio emocional, lidando com temas sensíveis como saúde. A preocupação com o tratamento dos dados pessoais por essas tecnologias é alta, com 66% dos usuários expressando preocupações sobre a gestão de suas informações.

Dados armazenados por empresas

Uma análise sobre empresas brasileiras constatou que 69% delas armazenam dados pessoais de seus clientes. Dentre os tipos de dados, a biometria (31%) e informações de saúde (26%) são as mais frequentemente coletadas. Também foi revelado que a maioria das empresas ainda não possui infraestrutura adequada para cumprir com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Avanços no setor público

O estudo evidenciou um crescimento na criação de departamentos voltados para a privacidade em órgãos públicos, especialmente em cidades menores, onde a proporção de instituições que investem nesta questão subiu de 36% para 42% em dois anos. Houve também um progresso no treinamento em segurança da informação, com a duplicação de programas de capacitação na rede pública.

No setor educacional, mais da metade das instituições públicas agora possui políticas de proteção de dados. As preocupações relacionadas à privacidade tiveram um forte impacto sobre os gestores, limitando a implementação de novas tecnologias educacionais.

Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, ressalta a urgência para que empresas e instituições públicas desenvolvam práticas que assegurem a proteção dos dados, promovendo um uso responsável dessas informações na era digital.