Uma análise do Instituto Update sobre as 12 candidaturas à Presidência mostra que as pautas direcionadas às mulheres concentram-se principalmente em saúde, violência e cuidados. Apesar de reconhecer os obstáculos que afetam esse grupo, o estudo aponta que áreas importantes, como a autonomia e a participação política, foram em grande parte ignoradas.
Falta de Profundidade e Temas Dominantes
Os dados revelam que, na maioria dos planos, as mulheres são vistas como beneficiárias das políticas, em vez de serem consideradas agentes ativas nas decisões. A diretora executiva do instituto, Carol Althaller, destacou que, embora os projetos abordem questões relevantes, carecem de clareza em termos de metas e métodos de execução. Somente um candidato trouxe uma proposta concreta que visa fortalecer a presença feminina na política, incluindo ações para enfrentar a violência política de gênero e suporte à capacitação de candidatas.
Abordagens sobre Violência e Segurança
Segundo a pesquisa, 75% dos planos discutem a violência contra as mulheres, incluindo temas como femicídio e medidas protetivas, com iniciativas que vão desde o reforço de redes de apoio até o monitoramento de agressores. No entanto, apenas um candidato fez uma ligação explícita entre a segurança das mulheres e o transporte urbano, evidenciando uma falha nas propostas que não consideram a mobilidade como um elemento essencial para a segurança.
Autonomia Econômica e Questões de Cuidado
Dos doze planos analisados, sete abordam a autonomia econômica das mulheres, tratando de temas como igualdade salarial e fomento ao empreendedorismo. Apesar de essa temática ser um consenso, os candidatos têm visões diferentes sobre como viabilizar essa autonomia. Além disso, 58% dos planos mencionam políticas de cuidado, reconhecendo a relevância desse assunto na esfera econômica das mulheres, embora haja divergências nas responsabilidades atribuídas ao Estado e à sociedade.
Dificuldades na Implementação de Políticas
A pesquisa do Instituto Update revela que, apesar do reconhecimento da importância da autonomia e dos cuidados, existem grandes discrepâncias nas propostas, evidenciando uma ausência de estratégias claras e eficazes para lidar com os desafios que as mulheres enfrentam em diferentes âmbitos, como político, social e econômico.
