Em Caracaraí, Roraima, um projeto pioneiro de preservação ambiental está em andamento, transformando uma área de 14 mil hectares em um ativo relevante no mercado de carbono. Esta iniciativa, promovida pela ZEG (Zero Emission Goal), uma empresa de São Paulo, visa proporcionar uma alternativa sustentável para propriedades que, apesar de manterem vegetação nativa, estão ameaçadas pelo desmatamento legal, uma das principais causas das emissões de gases de efeito estufa no Brasil.
A ZEG foi envolvida quando um produtor de soja de Goiás pediu autorização para desmatar legalmente sua propriedade, num cenário de flexibilização das normas de preservação. O Código Florestal permite, em estados como Roraima, que proprietários reduzam a reserva legal necessária, autorizando o desmatamento de até 50% das áreas privadas, caso haja zoneamento ecológico-econômico, implementado em 2022. Com isso em mente, a ZEG apresentou uma proposta ao produtor, que optou por seguir a recomendação após algumas discussões.
Inovação e Sustentabilidade
O modelo formulado pela ZEG combina tecnologia avançada para monitoramento ambiental com um programa de engajamento para as comunidades locais que vivem da extração de castanha-do-Pará. Um dos destaques da inovação é uma torre de monitoramento de 60 metros com um sistema de câmeras, capaz de utilizar inteligência artificial para identificar rapidamente focos de incêndio.
“O sistema possibilita um relatório detalhado sobre a localização dos focos de incêndio em poucos minutos, permitindo uma resposta mais rápida de nossa equipe”, comenta Cineone Silva, que coordena as operações de campo da empresa. Com uma equipe de 20 profissionais, a ZEG também investiu na capacitação de brigadas de incêndio nas comunidades vizinhas, demonstrando um forte compromisso com a segurança ambiental e da comunidade.
Impacto na Comunidade
A colaboração não só ajudou o produtor a evitar o desmatamento, mas beneficiou aproximadamente 36 famílias que puderam manter suas atividades extrativistas. A criação da Associação Agroextrativista do Município de Caracaraí (Agrocar) permitiu que os extrativistas se organizassem e aumentassem seus lucros por meio de vendas coletivas, reduzindo a exploração por atravessadores.
Segundo Eliane de Sena, secretária da Agrocar, as transações agora são mais organizadas e os preços alcançados são mais vantajosos, refletindo uma evolução significativa em relação aos anos anteriores.
Investimentos e Resultados
O investimento total do projeto foi de R$ 20 milhões, abrangendo desde a certificação dos estoques de carbono até a execução das estratégias de monitoramento. Embora ainda não tenha realizado a comercialização dos estoques de carbono, a iniciativa recebeu a classificação AA da agência BeZero, sendo reconhecida como um dos primeiros projetos no mundo a apresentar desmatamento evitado com essa nota.
“Estamos desenvolvendo um modelo que valoriza a floresta em pé e todos os seus produtos, assegurando um canal competitivo no mercado de carbono e promovendo a convivência harmoniosa entre conservação e produção”, finaliza Carlos Jacob, diretor-presidente da ZEG.
