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Sindicatos pressionam Senado por votação do 6×1 antes da eleição

No Brasil, as centrais sindicais mais influentes estão organizando uma mobilização para solicitar aos senadores a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 221, que busca eliminar a jornada de trabalho de seis dias consecutivos e uma folga, reduzindo a carga semanal para 40 horas.

Esse movimento, que terá início neste fim de semana, visa garantir que a votação da PEC aconteça antes do primeiro turno das eleições de 2026.

Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), expressou sua insatisfação com o adiamento da votação, criticando Davi Alcolumbre, presidente do Senado, por ceder à pressão de empresários e senadores opositores. Segundo ele, o objetivo de postergar a votação é enganar a população. Nobre afirmou: “Os empresários desejam que a votação seja adiada para que os senadores possam trair o povo”.

“Se os senadores forem cobrados nos estados, eles terão que se justificar nas ruas. Ao pedirem votos, deverão responder: onde está a 6×1?”, destacou.

Estratégia de Mobilização

Uma reunião do Fórum das Centrais Sindicais, ocorrida nesta sexta-feira (4), foi fundamental para planejar uma série de ações, como panfletagens em shoppings, maior presença nas redes sociais e a organização de protestos nas ruas. As centrais também pretendem agendar uma audiência com Alcolumbre a fim de discutir a votação da PEC antes do primeiro turno e revelar os parlamentares contrários à redução da jornada.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, manifestou sua preocupação quanto ao adiamento, ressaltando que mais de 70% da população apoia a proposta. Ele advertiu que uma votação adiada poderia representar um retrocesso nas conquistas trabalhistas.

Reações ao Adiamento

A expectativa inicial era de que a PEC fosse debatida logo após a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no dia 2 de setembro. No entanto, o adiamento pegou os sindicatos de surpresa. Paulo de Oliveira, da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), criticou essa mudança na pauta, considerando desleal para com o eleitorado e sugerindo que favorece interesses que não representam a população em sua totalidade.

“A redução da jornada para 40 horas é uma demanda histórica dos trabalhadores, com quase um século de reivindicações”, observou Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), ressaltando a vitória na CCJ e a importância da conversa com Alcolumbre.

As centrais defendem que a aprovação da PEC não apenas melhora a qualidade de vida e a saúde mental dos trabalhadores, mas também é financeiramente viável para as empresas, citando o êxito da transição de 48 para 44 horas em 1988.

Posição do Setor Empresarial

Por outro lado, as confederações patronais se opõem à proposta, expressando preocupação com o aumento dos custos e as possíveis repercussões na economia. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) pediu que a votação da PEC seja realizada somente após as eleições, defendendo uma análise mais detalhada das implicações que a mudança traria nas relações de trabalho.

“Mudanças constitucionais requerem análise técnica e diálogo, sem a pressão de um calendário eleitoral”, afirmou José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.