Na terça-feira (8), a ativista e professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA), Zélia Amador de Deus, faleceu em Belém aos 74 anos. Sua notável atuação em defesa dos direitos da comunidade negra e quilombola a fez deixar um significativo legado na luta contra a discriminação racial.
Um reconhecimento recente a Zélia ocorreu em 18 de agosto, quando um baobá foi plantado na UFPA, simbolizando sua contribuição pela igualdade racial na universidade. Durante essa cerimônia, Zélia ressaltou a importância da árvore como um símbolo de memória e ancestralidade, ilustrando seu papel na criação de um ambiente acadêmico mais inclusivo.
Compromisso com a inclusão
O compromisso de Zélia Amador de Deus com a educação se destacou pela busca por um acesso igual ao ensino superior, especialmente para grupos historicamente excluídos. O reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, prestou homenagem a ela, sublinhando sua influência nas relações humanas e sua habilidade de se conectar com as pessoas.
De 1993 a 1997, Zélia atuou como vice-reitora da UFPA e, em 2019, recebeu o título de professora emérita em Antropologia e Ciências Sociais, o que evidencia seu impacto tanto acadêmico quanto cultural.
Reconhecimento e legado
Após o anúncio de seu falecimento, a historiadora Janira Sodré, que fundou o Instituto Pretas, lembrou-se de Zélia como uma figura inspiradora. Ela destacou como Zélia ajudou a nova geração a reconhecer o protagonismo das mulheres negras na Amazônia. A força e alegria de Zélia ficarão gravadas na memória de todos que tiveram o privilégio de conhecê-la.
O professor Jonas Pinheiro também comentou sobre a importância de Zélia na implementação das cotas raciais e na valorização dos saberes tradicionais, enfatizando como sua dedicação deu espaço e voz às comunidades quilombolas, negras e indígenas na universidade.
A artista Gaby Amarantos expressou seu afeto e gratidão à professora, afirmando que os ensinamentos de Zélia continuarão a influenciar muitas vidas.
História de resistência
Zélia nasceu em 1951, em Soure, na Ilha do Marajó, filha de uma mãe solteira. Suas experiências de infância foram marcadas por dificuldades financeiras e, ao se mudar para a periferia de Belém, enfrentou novos desafios, incluindo o racismo. No entanto, a orientação da avó sobre se afirmar e lutar por seu espaço foi fundamental na formação de sua trajetória de ativismo e resistência.
