O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na manhã desta quinta-feira (10) que o deputado Mario Frias (PL-SP) não poderá deixar o país e deverá evitar qualquer contato com os demais investigados, todos relacionados a desvios de emendas. Esta decisão ocorreu na mesma ocasião em que foi autorizada a Operação Make Up, que efetua 49 mandados de busca e apreensão em várias localidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
A operação não se restringe apenas a Frias; ela também envolve a produtora Karina Gama e outros 27 indivíduos, que estão igualmente proibidos de viajar para fora do Brasil. Flávio Dino ressaltou que a ação foi motivada pelo uso de uma viagem internacional por Frias, que atrasou a entrega de informações essenciais à investigação. O ministro solicitou esclarecimentos sobre a regularização dessa viagem ao presidente da Câmara, Hugo Motta.
Dino expressou preocupação com a possibilidade de evasão por parte de parlamentares, citando que eventos recentes indicam que alguns podem tentar deixar o país em meio a investigações criminais.
Irregularidades em emendas parlamentares
A investigação foi provocada por relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU), que identificaram a alocação de R$ 2 milhões em emendas de Frias para o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), que estão vinculadas a Karina Gama. A CGU detectou indícios de que esses recursos, destinados a iniciativas sociais na cidade de Pirassununga, não foram aplicados corretamente e podem ter sido redirecionados para a produção do filme Dark Horse.
A Polícia Federal (PF) constatou, por sua vez, transações financeiras suspeitas envolvendo várias pessoas jurídicas ligadas a Karina Gama, com movimentações que totalizam milhões de reais, aparentemente desconectadas de suas atividades reais.
O relatório que fundamentou os mandados da operação de hoje destaca a existência de uma complexa estrutura financeira e operacional, projetada para movimentar recursos entre as entidades envolvidas. A investigação foca em delitos como lavagem de dinheiro, fraudes em contratações e falsidades documentais.
A assessoria de Mario Frias foi abordada, mas não forneceu resposta até o fechamento desta matéria. Estão em andamento tentativas de contato com Karina Gama.
Além das investigações conduzidas por Dino, uma outra apuração está sob a responsabilidade do ministro André Mendonça, que analisa um alegado repasse irregular de R$ 61 milhões feito por Daniel Vorcaro para o filme, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Este caso surgiu após a divulgação de áudios em que Flávio solicita recursos, embora não tenha contestado a autenticidade das gravações, defendendo a legalidade do pedido.
