Nesta quarta-feira (23), a Perícia Forense do Ceará (Pefoce) divulgou que as investigações iniciais indicam que Isabelle Caracristi, de 22 anos, se jogou do edifício onde residia. O namorado da jovem, João Munhoz Neto, de 34 anos, está detido e está sendo investigado por alegações de violência psicológica e indução ao suicídio.
O trágico evento ocorreu em 13 de setembro, no bairro Aldeota, em Fortaleza, onde Isabelle morava com João e a família dele. A perícia examinou imagens das câmeras de segurança do prédio e inspecionou o apartamento da universitária.
O perito-chefe, Júlio Torres, realizou uma coletiva de imprensa onde afirmou que as gravações mostraram parte da queda, porém não capturaram o momento exato da precipitação, validando a análise preliminar. Segundo ele, as evidências apontam para uma queda voluntária da jovem a partir do terraço do prédio.
“Conforme nosso laudo pericial criminal, houve uma precipitação voluntária do rooftop, na qual ela caiu em posição vertical”, declarou Torres.
Após prestações de depoimento em duas oportunidades, João Munhoz Neto foi preso preventivamente na terça-feira (22). O celular dele foi confiscado e está sob análise. O delegado-geral da PCCE, Marcio Gutierrez, relatou que João tentou destruir provas, levantando suspeitas de obstrução às investigações.
“Houve uma tentativa de destruição de provas e relatos de abuso psicológico, além de sua recusa em colaborar, o que motivou a prisão preventiva”, destacou Gutierrez.
As investigações revelam que uma pessoa pode ter sido convocada para limpar o apartamento de Isabelle, que foi colocado à venda logo após seu falecimento. João teria bloqueado a comunicação da família da jovem nas redes sociais, impedindo a entrada deles no condomínio.
Em declarações à imprensa, a advogada de João afirmou que ele não tinha vínculo com a morte da namorada e que estava ausente no momento da tragédia.
A mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, expressou seu desespero ao saber da prisão do namorado da filha, considerando isso um passo inicial em busca de “justiça”.
“Recebi hoje a certidão de óbito da minha filha. Eu sonhei que um dia receberia seu diploma, jamais pensei que receberia este documento”, lamentou Isorlanda.
A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social informou que, além de João, mais sete pessoas foram ouvidas, com novos depoimentos programados para os próximos dias. A PCCE continua a investigar dispositivos eletrônicos e imagens para esclarecer todos os aspectos da situação.
Detalhes das investigações
A Pefoce já produziu dez laudos periciais, sendo três deles finalizados. As análises ocorreram no apartamento de Isabelle, na área do terraço e no local onde seu corpo foi encontrado. O exame necroscópico detalhado confirmou que a morte foi causada por politraumatismo, compatível com a queda. Não foi encontrada evidência de gravidez, nem substâncias tóxicas no organismo de Isabelle em exames laboratoriais.
Histórico do caso
A morte de Isabelle causou grande comoção após sua mãe publicar um vídeo pedindo justiça. Isorlanda revelou que o último contato com a filha foi através do WhatsApp, onde Isabelle expressou seu amor, mas não respondeu depois. Ao tentar contatar João, a mãe descobriu que havia sido bloqueada.
“Fiquei desesperada ao perceber que não conseguia me comunicar com ela”, comentou Isorlanda, recordando a chocante notícia da morte da filha, a qual soube pela síndica do condomínio.
