A coalizão recém-estabelecida Escudo das Américas, que conta com a participação dos Estados Unidos e 14 nações da América Latina, tem entre seus principais focos o combate ao narcotráfico. Além disso, é percebida como uma tentativa de restringir a influência econômica da China na região. Especialistas em relações internacionais avaliam essa iniciativa como uma possível maneira de submeter e interferir nas nações latino-americanas.
Objetivos da coalizão
A coalizão, que inclui países como Argentina, Colômbia, Chile e Costa Rica, pretende apresentar a proposta do Escudo das Américas na Organização dos Estados Americanos (OEA). Durante a 81ª Assembleia-Geral da ONU, os membros divulgaram um documento no qual se comprometem a classificar como “terroristas” 24 organizações narcotraficantes, entre as quais as brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Críticas à política americana
O professor de ciência política da Universidade Federal de Uberlândia, Danilo Enrico Martuscelli, critica a estratégia da administração Trump. Para ele, essa abordagem representa uma tentativa de dominação imperial disfarçada de combate ao narcotráfico. Martuscelli destaca a contradição na política interna dos EUA, que já absolveu indivíduos ligados ao narcotráfico, questionando assim a real eficácia das medidas do Escudo das Américas.
Perspectivas de ingerência
O professor Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), argumenta que a atenção da coalizão ao narcotráfico pode servir como justificativa para a presença militar dos EUA na América Latina. Essa estratégia tem o potencial de pressionar nações como Brasil, México e Uruguai a se posicionarem em relação à influência norte-americana na região.
Uma visão cautelosa do Brasil
Embora não seja parte integrante da coalizão, o governo brasileiro adota uma postura cautelosa. Brasília observa atentamente as ações do Escudo das Américas, receosa de que essas iniciativas abram espaço para alinhar economicamente a região em detrimento da atuação da China, ao mesmo tempo em que faz questão de manter suas colaborações no combate ao crime organizado.
Combate às drogas e parcerias econômicas
No documento da coalizão, também são apresentadas propostas de cooperação econômica entre as nações, com o objetivo de proteger as “cadeias de suprimento de minerais críticos”. Esses minerais são essenciais para tecnologias modernas e a transição energética, indicando uma nova arena na concorrência comercial entre os EUA e a China. Valdez ainda aponta que essa iniciativa pode facilitar a venda de equipamentos militares dos EUA, restringindo a liberdade dos países em escolher seus fornecedores de defesa.
