Nesta sexta-feira (25), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, permanecerá à frente das investigações do caso Master, segundo a decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF). A decisão foi tomada por uma maioria de três votos a favor, em resposta a um pedido de afastamento apresentado pelo Partido Novo, que questionou a conduta de Gonet e sugeriu a possibilidade de irregularidades em sua atuação.
Resultados da Votação
O relator Francisco de Assis Sanseverino foi quem conduziu a votação, propondo o arquivamento da notificação do partido. A proposta recebeu apoio dos conselheiros Celso de Albuquerque Silva e Janice Agostinho Barreto Ascari, que também se manifestaram a favor de Gonet. Contudo, Ascari trouxe uma perspectiva diferente, apontando que alguns aspectos do caso carecem de esclarecimentos adicionais.
A discussão teve início às 10h e incluiu uma pausa para o almoço após as manifestações dos conselheiros. O Conselho Superior é composto por nove subprocuradores-gerais da República, e sua função inclui a autorização de investigações nas quais o PGR é investigado.
Fundamentação das Suspeitas
A representação do Partido Novo baseou-se em informações obtidas pela Polícia Federal (PF) a partir do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está sendo investigado por corrupção e fraudes financeiras. O partido viu indícios questionáveis em relação à integridade da atuação de Gonet nas menções sobre ele encontrados durante a investigação.
Defesa do Relator
Sanseverino, ao votar, refutou as alegações do partido, destacando a ausência de provas que indicassem a prática de crimes por parte de Gonet. Ele salientou que não se deve interpretar mensagens fora de contexto, pois isso poderia distorcer a realidade dos fatos ocorridos.
Além disso, o relator argumentou que Gonet agiu dentro dos parâmetros legais e respeitou a independência funcional, mencionando que o procurador-geral frequentemente se manifestou a favor da manutenção da prisão preventiva de Vorcaro.
Esclarecimentos sobre Relações
Sanseverino também afastou a hipótese de uma suposta amizade entre Gonet e Vorcaro, ressaltando que não houve comunicações diretas entre os dois. As análises sobre as anotações de Vorcaro, que mencionavam Gonet, não forneceram indícios concretos de uma amizade íntima, visto que as investigações não confirmaram a existência de mensagens atribuídas a essa relação.
A polêmica em torno de um encontro social entre Gonet e Vorcaro, que gerou discussões devido a uma fotografia, foi considerada pelo relator como um acontecimento isolado. A imagem, capturada em 2024 durante um fórum jurídico em Londres, não foi vista como suficiente para sustentar qualquer suspeita de cumplicidade entre eles.
Avanços nas Investigações
Gonet, como procurador-geral, deve opinar sobre todas as investigações que estão em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a Operação Compliance Zero, que investiga Vorcaro. Ele solicitou a nulidade do relatório de interceptação, alegando que o sigilo não deveria ter sido quebrado, uma vez que isso conflitava com a competência do STF para julgar seus próprios membros.
Após avaliar as menções a Gonet nas mensagens de Vorcaro, o procurador reiterou que sempre se comportou de forma cordial em suas interações e que as preocupações sobre tentativas de envolvimento pessoal nas investigações foram mal compreendidas.
