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Professor de ciências necessita de formação contínua, afirma pesquisadora

Um estudo recente revelou que, para o avanço da educação em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (conhecidas como Stem) no Brasil, é necessário não apenas melhorar a infraestrutura, mas também garantir uma formação contínua e aprofundada para os professores. Intitulada Panorama da Educação Stem no Brasil, a pesquisa analisa a maneira como essas disciplinas estão sendo incorporadas à educação básica em diferentes capitais do país.

Capacitação Contínua é Fundamental

Conduzida pela pesquisadora Sandra Unbehaum, a investigação destaca que a formação deve fazer parte do cotidiano dos educadores. Ela afirma que “é necessário que os professores tenham acesso a formações que não sejam pontuais, e que a capacitação aconteça dentro de seu tempo de trabalho”. Além disso, Unbehaum aponta a dificuldade que muitos docentes enfrentam ao lecionar em várias instituições, o que limita o acesso a formações regulares.

Acesso Desigual à Tecnologia

Outro ponto importante levantado pela pesquisa é a necessidade de uniformidade na infraestrutura para o ensino de Stem, como disponibilização de computadores e acesso à internet. A pesquisadora alerta que essa disparidade no acesso pode acentuar a desigualdade educacional, representando um grande desafio a ser enfrentado.

Transformação na Educação

Unbehaum acredita que a educação Stem tem o potencial de transformar a maneira como os alunos aprendem, ao incentivar um ambiente colaborativo e ativo. Ela destaca a importância de conectar o ensino dessas disciplinas a questões contemporâneas, como inteligência artificial e mudanças climáticas, preparando os alunos para os desafios do mundo atual.

Desafios Reconhecidos

A pesquisa ainda identificou vários obstáculos no setor educacional, incluindo a resistência de professores em adotar novas tecnologias e a carência de formação específica em algumas áreas. É comum encontrar docentes lecionando fora de suas áreas de formação, um fenômeno observado em Manaus. Em Curitiba, a alta rotatividade de professores compromete a continuidade pedagógica.

Iniciativas Exemplares

As melhores práticas documentadas nas capitais analisadas incluem:

  • Manaus: Utilização de jogos de tabuleiro para ensinar lógica de programação, além de projetos de inclusão escolar via tecnologia satelital.
  • Belém: Criação de óculos de realidade virtual a partir de materiais locais para facilitar a compreensão de geometria.
  • João Pessoa: Investimentos em infraestrutura com “imersões tecnológicas” para capacitar professores em tecnologia em sala de aula.
  • São Paulo: Programas de colaboração com universidades para promover a formação contínua de educadores.
  • Curitiba: Implementação da Cidade Educadora com espaços maker para incentivar a aprendizagem prática.

Projetos no Rio de Janeiro

Os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GET), lançados em 2022 no Rio de Janeiro, adotam uma abordagem interdisciplinar e já beneficiam 150 mil alunos, com planos de expansão para 350 escolas até o final do ano. As unidades integram as disciplinas Stem com artes, criando uma experiência educacional mais prática e interativa.

Valorização da Prática no Aprendizado

Manuela Calixto de Lira Bernardo Abreu, aluna de 15 anos em um dos GETs, destaca que a utilização de tecnologias nas aulas torna o aprendizado mais dinâmico. Ela ressalta a importância do aprendizado prático em um mundo cada vez mais tecnológico, promovendo uma visão crítica sobre o uso das ferramentas tecnológicas.

Valorização do Protagonismo Estudantil

O secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro, Hugo Nepomuceno, enfatiza que os GETs fomentam o protagonismo dos alunos, oferecendo uma experiência de aprendizado que vai além do tradicional. Essa abordagem inclusiva e prática busca fortalecer a relação entre a escola e a comunidade.