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Bets impactam saúde e finanças dos brasileiros

Um retrato alarmante da dependência em jogos online mostra que as famílias brasileiras enfrentaram perdas de R$ 62,5 bilhões no último ano, de acordo com o Boletim Fiscal dos Estados. Essa quantia resulta em um impacto mensal médio de R$ 4,7 bilhões, abrangendo o período de outubro de 2024 a março de 2026. Para lidar com essa questão crescente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma medida provisória assinada na sexta-feira (25), pôs fim a essas operações no Brasil.

Com essa proibição, trechos da Lei 13.756, aprovada em 2018, foram revogados. Essa lei regulamentou as apostas após um intervalo de cinco anos, permitindo que as plataformas operassem sem diretrizes claras durante esse intervalo. As regras estabelecidas em 2023 incluíram alertas sobre os riscos do jogo, mas a aplicação dessas normas revelou-se insatisfatória. O advogado Júlio Leone aponta que as empresas falharam em bloquear usuários com histórico de compulsão, continuando a enviar promoções sedutoras.

Consequências do Vício em Apostas

A história de Kaio*, um ex-apostador de 42 anos, exemplifica o impacto devastador das apostas. Ele acabou acumulando dívidas e perdendo bens essenciais como seu carro e sua casa. De acordo com ele, o vício afetou seriamente sua saúde mental e sua dinâmica familiar. Hoje, Kaio reside em um dormitório em Goiás e busca ajuda em um Centro de Atenção Psicossocial, onde participa de grupos terapêuticos e utiliza medicação.

A psiquiatra Kátia Branco menciona que as pessoas mais vulneráveis, frequentemente desinformadas, são as que mais arcam com as consequências da dependência em jogos. O marketing agressivo das plataformas criou uma falsa expectativa de que era possível aumentar a renda com apostas, levando muitos a se afundarem em dívidas.

O Impacto sobre Jovens e Adolescentes

As consequências desse vício não se limitam apenas aos adultos. Pesquisas indicam que aproximadamente 20,4% dos alunos do ensino médio relataram já ter realizado apostas online, com alguns iniciando essa prática aos 11 anos. A psicóloga Mariana Kehl ressalta que a estrutura cerebral em desenvolvimento dos jovens os torna mais vulneráveis a esses impulsos, gerando um ciclo de vícios e potenciais problemas mentais.

Riscos à Saúde Mental e Projetos de Apoio

Entre os dependentes de apostas, comportamentos de risco e sinais de desesperança, incluindo a ideação suicida, são comuns. A psiquiatra Kátia Branco enfatiza a necessidade de reconhecer esses sintomas e buscar apoio profissional.

Em resposta ao aumento das questões de saúde associadas ao vício em apostas, o Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou o número de teleatendimentos mensais destinados a esses pacientes. O Ministério da Saúde planeja intensificar as iniciativas para alcançar os apostadores frequentes, assegurando tratamento e suporte adequados.

A nova realidade, sem as plataformas de apostas, poderia servir como uma chance para reverter o ciclo de perdas financeiras e prejuízos à saúde mental dos brasileiros.

*Nomes fictícios a pedido dos entrevistados