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Sete em cada dez parlamentares se opõem à agenda ambiental

Uma análise do Observatório do Clima revela que, com a formação da 58ª Legislatura em 2027, a maioria dos parlamentares federais estará alheia às pautas ambientais. De acordo com a pesquisa, 70% dos novos congressistas se opõem à agenda socioambiental.

A avaliação determina o alinhamento dos parlamentares em relação a questões climáticas e ambientais, utilizando uma metodologia que categoriza a convergência em quatro níveis: muito baixa, baixa, boa e muito boa.

Entre os congressistas, 68,9% se encontram nas categorias de alinhamento baixo ou muito baixo. Especificamente, 201 parlamentares estão classificados na faixa muito baixa, o que representa 33,8% do total, enquanto 208 indivíduos, ou 35%, estão na faixa baixa. Em contraste, 52 parlamentares (8,75%) se destacam na faixa boa e 133 (22,4%) na faixa muito boa.

Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, alerta que tal cenário pode impactar gravemente a proteção ambiental no Brasil, levando a retrocessos significativos, como o enfraquecimento dos órgãos de preservação ambiental e a redução da proteção de florestas e biomas.

Desempenho no Senado

O cenário no Senado é ainda mais alarmante, com 79% dos senadores classificados nas faixas baixa ou muito baixa em relação à convergência ambiental. Isso significa que 64 dos 81 senadores eleitos não possuem alinhamento com os esforços de conservação e combate às mudanças climáticas. Apenas 17 senadores, ou 21%, se situam nas faixas boa ou muito boa.

Em comparação à legislatura anterior, o número de senadores com baixo ou muito baixo alinhamento cresceu de 58 (71,6%) para 64 (79%).

Situação na Câmara dos Deputados

Na análise da Câmara dos Deputados, 67,3% dos 513 parlamentares são classificados nas faixas baixa ou muito baixa, totalizando 345 deputados. Apenas 40 deles (7,8%) estão na faixa boa e 128 (25%) na faixa muito boa.

Segundo o Observatório do Clima, o aumento da representação de partidos de extrema direita, que historicamente demonstram pouco alinhamento com pautas ambientais, contribui para essa deterioração nas condições de convergência. O Partido Liberal (PL) teve um crescimento notável, passando de 15 para 28 cadeiras no Senado e de 98 para 121 deputados na Câmara.

“Esse cenário reflete quatro anos de desafios para quem atua nessa área, acendendo sinais de alerta sobre os retrocessos e suas implicações para a crise climática”, enfatiza Suely Araújo.

Para esta análise, foi utilizada uma metodologia que incorporou dados da plataforma Farol Verde, juntamente com informações de órgãos oficiais como Câmara, Senado e assembleias legislativas, com o intuito de categorizar parlamentares que ainda não haviam recebido uma classificação no índice de convergência ambiental.