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Comece o dia bem informado! 16 de agosto de 2026

Brasil amplia desigualdades mesmo com redução da pobreza

O Brasil avançou substancialmente na luta contra a pobreza, de acordo com um novo relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, mas ainda enfrenta sérios desafios relacionados à desigualdade social.

A pesquisa, que avaliou 48 indicadores, revelou que 34 deles (71%) apresentaram melhorias no último período. Entre os avanços, destacam-se o crescimento da renda média, a expansão do mercado de trabalho, a redução da pobreza e o melhor acesso a serviços essenciais e à segurança alimentar.

Outros progressos foram observados em setores como saúde, com a diminuição da desnutrição em crianças e idosos; educação, evidenciada pela queda nas taxas de analfabetismo; e segurança, refletida na diminuição das taxas de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos.

No entanto, o relatório também apontou que houve piora em oito indicadores e que seis permaneceram inalterados. As áreas que apresentam os maiores problemas incluem:

  • O aumento do número de mulheres recebendo salários mais baixos que os homens;
  • A intensificação da concentração de renda;
  • Menor carga tributária sobre os mais ricos;
  • Piorias nas condições sociais da população negra;
  • Um aumento da desigualdade em indicadores sociais nas regiões Norte e Nordeste.

Os autores do estudo ressaltam que os dados negativos evidenciam a continuidade de mecanismos que perpetuam desigualdades no país. De acordo com o documento, “o crescimento econômico beneficiou diversos grupos sociais, mas não teve tato suficiente para mitigar as disparidades históricas de renda, gênero, raça e território”.

Nesta edição, que é a quarta do relatório, os dados foram atualizados em relação a 2025, exceto para algumas informações que não recebem atualização anual. Por exemplo, os indicadores sobre gastos familiares são revisados a cada dois anos, assim como o Indicador de Analfabetismo Funcional, apresentado em 2024 após um intervalo de seis anos.

Embora faltem dados mais recentes para algumas métricas, Adriana Marcolino, diretora do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, assegura que isso não interfere nas comparações com versões anteriores. “A comparação é feita com dados do ano anterior, evitando distorções temporais. Dispor de quatro anos de relatórios nos permite identificar tendências consistentes”, esclareceu.

No prefácio do documento, Betina Ferraz Barbosa, economista-chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil, enfatiza que a análise dos índices vai além das métricas econômicas convencionais de saúde e educação. Ela observa que “os números médios ocultam uma realidade mais complexa: embora os avanços sejam reais, eles são profundamente desiguais”.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.