Recentemente, o Brasil tem enfrentado um aumento alarmante de vandalismos contra símbolos religiosos, gerando um debate crucial sobre a intolerância religiosa. No primeiro semestre de 2026, segundo o Disque 100, foram feitas 1.252 denúncias em relação à liberdade de crença e intolerância religiosa.
Um dos episódios que ganharam destaque ocorreu em Fortaleza, onde, na madrugada de 9 de setembro, um cartaz em uma loja de produtos religiosos católicos exibia a mensagem: “Se reabrir, todos morrem”. Na mesma noite, dois estabelecimentos católicos e um templo de umbanda foram incendiados. As investigações estão sob responsabilidade da Polícia Civil. O Padre Josileudo Queiroz, da Igreja de São José Operário em Caucaia, mencionou em suas redes sociais que esses ataques são crimes de intolerância religiosa.
Ocorrências em diversas localidades
Os eventos em Fortaleza refletem uma tendência mais ampla. Um dia antes, em Londrina (PR), a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi danificada, enquanto em Salvador, imagens de Nossa Senhora das Graças e Santa Dulce dos Pobres sofreram vandalismo. O ministro Flávio Dino, do STF, ordenou que a Polícia Federal conduza uma investigação sobre a onda de ataques a símbolos católicos, intensificando as buscas por esclarecimentos sobre esses incidentes.
Esse aumento de atos de intolerância religiosa não é um fenômeno isolado, visto que também está ligado a discussões sobre o título de padroeira do Brasil por Nossa Senhora Aparecida, especialmente considerando o contexto eleitoral atual. Recentemente, as redes sociais foram palco de controvérsias envolvendo o candidato à presidência Flávio Bolsonaro, que solicitou judicialmente a remoção de informações consideradas falsas, resultando em decisões contraditórias.
Crescimento nas denúncias
Embora os católicos tenham experimentado um aumento nos ataques, os praticantes de candomblé e umbanda permanecem como os principais alvos de intolerância religiosa. Segundo uma pesquisa do IBGE, entre janeiro e junho de 2026, 270 denúncias relacionadas a estas crenças foram registradas, o que representa um crescimento de mais de 40% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Para os católicos, as denúncias saltaram de 15 para 34, resultando em um aumento superior a 100%.
Implicações legais e punições
Igor Barreto, defensor público do Ceará, explicou que os crimes de intolerância religiosa não têm direito a fiança e são imprescritíveis, podendo ser processados a qualquer tempo. No Brasil, a pena para esses crimes varia entre um e cinco anos de reclusão, além da imposição de multa.
A intolerância religiosa se tornou uma preocupação crescente no Brasil e em várias partes do mundo, onde movimentos fundamentalistas têm ganhado força. Rudelmar Faria, secretário-geral da ACT Alliance, destacou em uma declaração recente que a exclusão de grupos marginalizados está crescendo, apresentando um desafio que requer atenção imediata dos formuladores de políticas públicas.
