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Autismo: estratégias para atender crianças em consulta médica

No 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, que acontece em Salvador até 12 de outubro, um estudo revelou que cerca de 40% das crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrentam transtornos de ansiedade, o que dificulta o atendimento oftalmológico. A oftalmologista Raíra Fortuna destacou que apenas menos de 4% dos especialistas da área afirmam ter recebido treinamento específico para lidar com esses pacientes.

As dificuldades comuns entre crianças com TEA incluem hipersensibilidade sensorial e aversão a mudanças na rotina, levando muitas vezes à interpretação incorreta desses comportamentos como má conduta durante as consultas médicas. Raíra explica: “Esses comportamentos são, na verdade, manifestações do autismo em ambientes que não estão adaptados.” Essa realidade pode comprometer a realização de exames essenciais para a saúde ocular, evidenciada pelo dado de que a prevalência de estrabismo nessa população é de 41%, comparado a apenas 3% entre crianças sem desenvolvimento atípico.

Abordagens para Uma Consulta Eficiente

Com o intuito de tornar as consultas mais eficazes para crianças com TEA, Raíra Fortuna sugere diversas estratégias que ajudam a criar um ambiente mais confortável e menos estressante:

  • Preparação: Manter um horário adequado para reduzir o tempo de espera, utilizar questionários antes da consulta para entender as características sensoriais da criança e oferecer previsibilidade por meio de vídeos do consultório.
  • Adaptação: Criar uma sala de espera tranquila, controlar o nível de ruído, utilizar fones de ouvido e iluminação suave, além de permitir que a criança leve objetos que lhe tragam conforto.
  • Execução: Fazer uma comunicação clara e breve, introduzir a criança ao equipamento antes dos exames, oferecer opções durante os procedimentos e permitir pausas para digerir informações.

“Se os exames não estão funcionando, pode ser que o problema esteja na abordagem utilizada”, afirma Raíra, que enfatiza a importância de capacitações para toda a equipe do consultório. Ela conclui que investimentos na preparação do ambiente e no treinamento das equipes proporcionam resultados positivos no atendimento a essas crianças.