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August 11, 2026

Bolsa para estudo no exterior beneficia jovens negros do Rio e Bahia

O Fundo Baobá, dedicado à promoção da equidade racial, fez um anúncio importante neste mês: selecionou três estudantes negros que receberão uma bolsa no valor de R$ 42 mil para estudar fora do Brasil. Essa ação integra o programa Black STEM, que se concentra nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Destinos de aprendizado

Os estudantes escolhidos partirão em setembro para instituições renomadas. Caio Ramos, de 23 anos, vai estudar Design no Dubai Institute of Design and Innovation, localizado nos Emirados Árabes Unidos. Quezia Fernanda, de 19 anos, seguirá para a Universidade de Jaén, na Espanha, onde se dedicação à Engenharia Elétrica. Já João Vitor, originário da Bahia, vai cursar Ciência da Computação na Northwestern University, nos Estados Unidos.

Trajetórias de determinação

Caio, que reside em Irajá, Rio de Janeiro, enfrentou diversas dificuldades antes de conquistar essa oportunidade. A pandemia trouxe desafios, como a suspensão das aulas e problemas familiares relacionados à saúde de seu pai, diagnosticado com Alzheimer e Parkinson, o que o levou a trabalhar para apoiar sua família. Ele ressaltou a importância de sua conquista, dizendo: “Estar no Black STEM é uma vitória minha, mas também é uma vitória das pessoas que vão se identificar comigo e que passam pelas mesmas coisas.”

Quezia, natural de Rio das Ostras, despertou seu interesse pela Engenharia Elétrica no ensino médio técnico. Para ela, a bolsa de estudos representa a chance de realizar um sonho que parecia distante. Durante a cerimônia de boas-vindas, ela ressaltou a importância da engenharia na área de energia, especialmente em uma região rica em petróleo: “Vi na engenharia elétrica possibilidade de iniciar um estudo e futuramente quero me aprofundar na área sustentável.”

João Vitor, que cresceu em Cruz das Almas, na Bahia, sempre teve uma forte conexão com tecnologia e computação. Suas interações com lideranças de comunidades quilombolas o motivaram a buscar educação em instituições de prestígio como a Northwestern University. Ele expressou sua gratidão em relação às influências que moldaram sua jornada: “Por ter tanta proximidade com as comunidades quilombolas, tenho um carinho enorme por aquelas lideranças que me ajudaram.”

Suporte além da bolsa de estudos

O programa Black STEM não apenas oferece a bolsa para cobrir as despesas de moradia, alimentação e materiais acadêmicos, mas também disponibiliza um conjunto de apoios adicionais. Entre eles, há mentoria de carreira, workshops e assistência psicológica, que são cruciais para a adaptação dos estudantes em um novo país.

Giovanni Harvey, diretor-executivo do Fundo Baobá, enfatizou o valor desse suporte complementar: “Não é somente dar o dinheiro. Temos que oferecer rede de apoio, de suporte.” Ele observou que muitos alunos estarão longe de seus lares e terão que enfrentar desafios emocionais significativos durante a sua jornada acadêmica.

Este projeto tem como objetivo não apenas proporcionar uma educação de excelência, mas também estimular a autoconfiança de jovens negros, provando que é viável ocupar e alcançar posições de destaque no ambiente acadêmico e no mercado profissional.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.