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Brasil amplia margem equatorial por decisão da ONU

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou uma significativa ampliação da Margem Equatorial, que é uma nova fronteira para a produção de petróleo no Brasil. Com essa decisão, 11 novos setores exploratórios foram incorporados, totalizando uma área de 380 mil quilômetros quadrados, semelhante ao tamanho da Alemanha.

Essa inclusão resultou de uma deliberação da Organização das Nações Unidas (ONU), que aprovou a expansão da plataforma continental brasileira. A diretoria da ANP formalizou a aprovação na última sexta-feira (2).

Nova Fronteira Exploratória

Os novos setores, que somam 501 blocos para exploração, foram classificados como Nova Fronteira Exploratória pela ANP. Essa ação não apenas promove um incremento nas atividades petrolíferas, mas também ressalta a atratividade dessas áreas para investidores.

Entendendo a Plataforma Continental

A plataforma continental envolve o fundo do mar e o subsolo em áreas que ultrapassam o mar territorial, onde o Brasil possui direitos de exploração de recursos naturais. Em 2025, a Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU validou um pedido do Brasil, liderado pela Marinha, para a ampliação de sua plataforma.

Interesse na Margem Equatorial

A Margem Equatorial, considerada uma nova versão do pré-sal, vem recebendo considerável atenção do governo brasileiro e de empresas petrolíferas. O entusiasmo quanto ao potencial desta região aumentou com as recentes descobertas na Guiana e no Suriname. A Petrobras, por exemplo, anunciou uma nova descoberta na bacia da Foz do Amazonas, que faz parte dessa nova fronteira.

A estatal reconhece a importância de investir nessa região para renovar suas reservas, especialmente com a possibilidade de um declínio das reservas do pré-sal a partir da década de 2030.

Localização e Regras de Exploração

Os novos setores estão localizados nas bacias de Barreirinhas, Ceará, Foz do Amazonas, Potiguar e Pará-Maranhão, com profundidades superiores a 3 mil metros. É importante observar que os 501 blocos não serão automaticamente incluídos no sistema de Oferta Permanente da ANP, que organiza leilões para atrair empresas petrolíferas.

A ANP enfatizou que a inclusão futura de blocos em ofertas dependerá de análises específicas e do cumprimento de regulamentações relevantes.

Uma análise socioambiental das novas áreas não encontrou restrições significativas que inviabilizassem as propostas de exploração. Esses setores foram pré-definidos com o objetivo de facilitar atividades como a coleta de dados sísmicos e geoquímicos, essenciais para o planejamento de futuras explorações.

Setor Petrolífero Reage Positivamente

O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) celebrou a nova delimitação, considerando-a uma “oportunidade estratégica” para o Brasil, essencial na reposição de reservas e na segurança energética a longo prazo. Cláudio Nunes, diretor executivo do IBP, comentou que as descobertas na costa do Amapá são um sinal muito positivo sobre o potencial de hidrocarbonetos na região.

O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep) também vê essa expansão como uma porta para novas oportunidades de exploração. Francismar Ferreira, coordenador de pesquisas do Ineep, destacou a necessidade de um diálogo amplo sobre políticas energéticas e marcos regulatórios para conectar os avanços exploratórios ao crescimento nacional.

Ele ressaltou que a receita gerada deve ser direcionada para objetivos estratégicos, como a adaptação às mudanças climáticas e a redução das desigualdades sociais. Ferreira expressou preocupação quanto à desnacionalização das reservas, defendendo uma coordenação mais eficaz do governo em relação à exploração, produção e uso da receita do petróleo, visando garantir um desenvolvimento sustentável no futuro.