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Comece o dia bem informado! 26 de agosto de 2026

Brasil se compromete a restaurar 163 mil km² de terras até 2030

Na terça-feira (25), durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que ocorre em Ulaanbaatar, Mongólia, o Brasil anunciou uma meta ousada: restaurar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até o ano de 2030.

Para alcançar esse objetivo, o país planeja reverter a degradação da vegetação nativa e incentivar sistemas agroflorestais. O compromisso brasileiro também inclui a implementação de ações em unidades de conservação, terras indígenas, áreas de preservação permanente e bacias hidrográficas.

As metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN) representam compromissos voluntários que os países assumem com o intuito de manter a quantidade de terras saudáveis e produtivas estável. De acordo com dados de 2020, quando aproximadamente 55,7 milhões de hectares apresentavam tendência à degradação, o Brasil deverá atingir, até 2030, um número similar para garantir a neutralidade.

Além da restauração, haverá a promoção da conservação e do manejo sustentável em um adicional de 3,51 milhões de km². Com isso, as metas oficiais de LDN do Brasil somam 3,67 milhões de km², considerando tanto a conservação quanto a restauração.

Relevância das Metas

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, ressaltou a proatividade do Brasil em se envolver nas discussões sobre desertificação e em mobilizar outros países. Ele sublinhou a importância da cooperação internacional diante do crescente problema da degradação das terras.

“As áreas suscetíveis à seca e à degradação vêm se expandindo. Portanto, devemos intensificar as ações de colaboração entre nações”, declarou Capobianco.

A meta brasileira recebeu elogios de Laura Meza, representante regional da UNCCD na América Latina e Caribe, que destacou a posição da América Latina como uma das regiões globalmente mais comprometidas com a sustentabilidade do solo. Meza também enfatizou que a restauração dos ecossistemas tem um impacto positivo não apenas no meio ambiente, mas também na agricultura e nas condições socioeconômicas das comunidades.

“Os efeitos da restauração vão além do meio ambiente, influenciando positivamente a vida das pessoas”, afirmou Meza.

Nora Barahona, diretora adjunta da FAO, reforçou a responsabilidade do Brasil no cumprimento de suas promessas, pedindo apoio para que o país sirva como exemplo para outras nações.

“Precisamos do Brasil para incentivar solidariedade entre as nações, permitindo que outros sigam seu exemplo admirável”, destacou Barahona.

Atrasos no Compromisso

Ainda assim, 131 dos 196 países que integram a Convenção da ONU para o Combate à Desertificação já se comprometeram com metas de LDN, enquanto o Brasil apresentou sua estratégia quase uma década após o prazo estipulado.

Desde que a ONU formalizou o conceito de LDN em 2015 e começou a receber metas em 2017, o Brasil havia estabelecido a Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca. Contudo, a comissão encarregada de acompanhar essas metas ficou inativa e foi descontinuada em 2019, sendo reativada somente em 2024.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.