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noticiasmanha 31 de agosto de 2026

Comunidades sofrerão sem acordo contra secas, alertam especialistas

Na última sexta-feira (28), a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combatendo a Desertificação (COP17) foi concluída em Ulaanbaatar, Mongólia, mas não atendeu às expectativas de organizações ambientais e especialistas. A falta de um acordo global para lidar com as secas, numa época marcada pelo aumento de desastres climáticos, trouxe à tona preocupações sobre o impacto sobre comunidades vulneráveis.

Retrocesso nas negociações climáticas

A crítica mais contundente recaiu sobre a decisão de adiar as discussões para um acordo que seria discutido na COP18, prevista para acontecer no Egito. O especialista Rafael Giovanelli, do Instituto Escolhas, expressou sua decepção ao perceber a ausência de ações efetivas e a continuidade do problema das secas. “Foi decepcionante ver que a COP termina sem decisões significativas,” comentou.

Richar Lee, representante da Wetlands Internacional, enfatizou a urgência da ação, especialmente com a Europa enfrentando uma das piores secas de sua história e os níveis de água do Rio Colorado, nos EUA, em mínimos históricos. “Acreditávamos que a gravidade da situação levaria os governos a agir, mas o adiamento custará caro,” alertou.

A urgência de um plano de ação

A especialista Christine Colvin, da WWF Global, ressaltou que apenas esforços conjuntos entre governos, sociedade civil e instituições financeiras podem resultar em progressos no combate às secas. “É frustrante que a ambição tenha sido abandonada nesta conferência. Sem resultados significativos, estamos sem uma base firme para futuras ações,” concluiu.

Desafios das negociações

O apoio à proposta de um mecanismo multilateral para lidar com as secas é evidente, especialmente entre países africanos que sofrem com o fenômeno. O apoio financeiro internacional é fundamental para que essas nações se preparem e se recuperem de eventos extremos. No entanto, países mais desenvolvidos mostram-se relutantes em firmar compromissos obrigatórios, preferindo opções de adesão voluntária.

Iniciativas alternativas em andamento

Mesmo sem um acordo formal, a COP17 viu o lançamento de algumas iniciativas. Uma delas é o Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF), que visa arrecadar até US$ 400 milhões para enfrentar a questão da seca, com o suporte da UNCCD e de Luxemburgo, focando em segurança hídrica e práticas agrícolas sustentáveis.

Adicionalmente, o Observatório Internacional de Resiliência à Seca (IDRO) foi relançado, apresentando o Índice de Resiliência à Seca (DRI), uma ferramenta pensada para auxiliar países a se prepararem e se adaptarem às crises de escassez de água.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.