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Comece o dia bem informado! 25 de agosto de 2026

Degradação da terra e clima extremo afetam nômades na Mongólia

Atualmente, a comunidade nômade da Mongólia enfrenta desafios severos, resultantes da degradação ambiental e de eventos climáticos extremos. Batchuluun Maamun, um pastor de 57 anos, relata as dificuldades que surgem com as mudanças significativas nos sinais da natureza que antes guiavam sua vida. Ele expressa preocupação com a escassez crescente de água e com a vegetação debilitada por secas severas, o que compromete o bem-estar de suas ovelhas, cabras e outros animais.

Nos últimos anos, fenômenos como o dzud, que combina invernos rigorosos e secas, causaram perdas drásticas no rebanho. Em 2010, 700 dos 1,3 mil animais da comunidade de Batchuluun morreram em um evento similar, e em 2020, a perda foi de 20%. Há 27 anos, Batchuluun e sua família migraram para uma área de pastagem a cerca de 100 km da capital, Ulaanbaatar, em busca de melhores condições de vida.

Desertificação e os Nômades

A Organização das Nações Unidas, que se dedica ao combate à desertificação, aponta que entre 70% e 76% do território da Mongólia está em processo de degradação, totalizando cerca de 36 milhões de hectares. Esse cenário se revela alarmante para os nômades, que dependem da saúde do ecossistema para sua sobrevivência.

Batchuluun manifestou sua esperança durante a 17ª Conferência das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (COP17), acreditando que as discussões poderiam trazer soluções efetivas. Ele ressaltou a importância das pautas sobre seca e sobrepastoreio, afirmando: “Temos que respeitar a natureza e passar essa ideia para as gerações futuras”.

Iniciativas Sustentáveis nas Pastagens

Com o aumento do rebanho, que alcançará cerca de 58 milhões de animais em 2025, a pressão sobre as pastagens intensificou-se. Em meio a uma população de apenas 3,4 milhões, incluindo aproximadamente 700 mil nômades, o equilíbrio entre o pastoreio e a preservação ambiental se tornou fundamental.

A família de Batchuluun e outros nômades começaram a implementar práticas que promovem a sustentabilidade, como a rotação de pastagens, que permitem a recuperação do solo após dois anos de repouso. Essa abordagem tem revitalizado a vegetação local.

Além disso, muitos pastores estão explorando a diversificação de seus rebanhos e a melhoria da produtividade animal, revisando a antiga mentalidade que priorizava a expansão sem planejamento. “Agora estamos mais interessados em como aproveitar melhor o que já temos”, afirma Batchuluun.

Educação e o Futuro do Nomadismo

Oyunchimeg Shuurai, a esposa de Batchuluun, de 53 anos, destaca a relevância de transmitir novos conhecimentos e práticas para as próximas gerações. “É necessário que nossos filhos aprendam novas formas de viver e produzir”, ela diz. O casal tem quatro filhos e não impõe a obrigatoriedade de seguir a tradição pastorial, embora deseje que pelo menos um deles mantenha as tradições familiares vivas.

Além disso, estão incorporando soluções modernas, como painéis solares e combustíveis alternativos, ao seu estilo de vida nômade. Batchuluun e Oyunchimeg enfatizam que respeitar a terra não significa preservá-la em sua forma original, mas utilizá-la de maneira consciente e responsável. “A busca apenas por lucro é o que leva à destruição”, conclui Oyunchimeg.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.