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Comece o dia bem informado! 16 de agosto de 2026

Desertificação no Brasil compromete segurança hídrica e alimentar

De acordo com estimativas, aproximadamente 39 milhões de habitantes do Brasil estão situados em áreas vulneráveis à desertificação, afetando diretamente setores como os sertanejos, agricultores, comunidades indígenas, quilombolas, geraizeiros, pantaneiros e pampeiros.

A desertificação, que pode parecer um problema distante para alguns, resulta na degradação de terras que antes eram produtivas, levando à perda da capacidade de reter água e sustentar a vida. Este fenômeno é acelerado por práticas humanas não sustentáveis, como o desmatamento e as mudanças climáticas, que comprometem a biodiversidade e a segurança alimentar. Consoante relatórios da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), 18% do território nacional é visto como suscetível a esse processo.

Conferência na Mongólia

Diante da crescente preocupação sobre o tema, representantes do governo brasileiro e da sociedade civil se preparam para a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17), marcada para acontecer de 17 a 28 de agosto na Mongólia. Ivi Aliana, coordenadora executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), enfatiza que as populações mais impactadas são as mais vulneráveis, o que consequentemente afeta toda a sociedade.

Impactos da desertificação

Entre 2000 e 2020, a área do Brasil sob a ameaça da desertificação aumentou de 1,35 milhão para 1,51 milhão de quilômetros quadrados. Esse incremento de 170 mil km² corresponde à soma das áreas de Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Embora os estados do Nordeste sejam os mais atingidos, problemas semelhantes também afetam o norte de Minas Gerais, Espírito Santo, o nordeste do Rio de Janeiro e o noroeste do Mato Grosso do Sul.

A realidade da Caatinga

Na Caatinga, um dos biomas mais afetados, 11% da área encontra-se em estado crítico ou severo. O Instituto Nacional do Semiárido (Insa) revela que 42,6% da vegetação nativa foi eliminada. Proteger esse bioma é fundamental não apenas para a biodiversidade local, mas também para a regulação do clima. Um estudo realizado pelo Cemaden e pela Inpe identificou, em 2023, a primeira área árida do Brasil, que se estende por 6 mil km² entre Pernambuco e Bahia.

Iniciativas e políticas

O Brasil se comprometeu com a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação em 1997. Em março de 2026, foi lançado o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, com o objetivo de promover uma abordagem integrada nas políticas públicas. Um programa complementar, o Programa Recaatingar, pretende recuperar 10 milhões de hectares de terras degradadas nos próximos 20 anos, aplicando métodos que respeitam o saber das comunidades locais.

Abordagens inovadoras no semiárido

A ASA, com 25 anos de experiência, desenvolve iniciativas voltadas para a captação de água da chuva e técnicas agrícolas adaptadas, com foco em reduzir a erosão e melhorar a sustentabilidade da agricultura familiar. Essa estratégia é essencial para assegurar que as comunidades tenham acesso a recursos hídricos e possam produzir alimentos de maneira eficaz.

A COP17 e seus desdobramentos

A COP17 será amplamente monitorada pela mídia e trará à tona discussões sobre soluções que afetarão a gestão das terras e a prevenção da desertificação no Brasil. Especialistas e organizações civis defendem que a Caatinga deve ser priorizada nas conversas para garantir a tão necessária atenção ao semiárido no combate à desertificação e na luta contra as mudanças climáticas.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.