No dia 19, uma terça-feira, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos fez um anúncio impactante: a dívida pública do país finalmente ultrapassou a marca de US$ 40 trilhões. Esse crescimento alarmante trouxe à tona preocupações sobre uma possível crise fiscal. Esse cenário resulta, principalmente, do aumento dos gastos em programas sociais e da elevação das taxas de juros, que já superam as receitas do governo, debilitadas por cortes de impostos.
De acordo com o relatório de caixa e dívida do Tesouro, a dívida total foi de US$ 40,047 trilhões, englobando US$ 32,266 trilhões em títulos do Tesouro na posse do público e US$ 7,782 trilhões em dívida intragovernamental.
Em menos de uma década, esse montante mais que dobrou, passando de US$ 19,95 trilhões em janeiro de 2017, quando Donald Trump assumiu a presidência pela primeira vez. Cerca de um terço dessa elevação se deveu ao aumento dos gastos durante a pandemia da Covid-19, onde tanto Trump quanto seu sucessor, Joe Biden, desempenharam papéis chaves. As decisões fiscais tomadas por ambos os líderes, em adição a um histórico de desequilíbrios entre receitas e despesas, facilitaram a escalada da dívida.
Essa situação motivou grupos de monitoramento fiscal a prever que a barreira de US$ 40 trilhões seria ultrapassada, alertando sobre a possibilidade de uma crise de dívida caso o Congresso não tome providências para reequilibrar o cenário fiscal, por meio de aumentos de impostos ou cortes significativos nos gastos.
“Os 40 trilhões de dólares da dívida não estão apenas nos números do governo; eles impactam a economia e chegam ao bolso do cidadão”, afirmou Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável.
MacGuineas também mencionou que o marco de US$ 40 trilhões foi atingido em menos de cinco meses após a dívida ter alcançado US$ 39 trilhões, enfatizando que esse crescimento quadruplicou em menos de 20 anos. Ela destacou que levou até 1981 para que a dívida atingisse US$ 1 trilhão pela primeira vez, apontando para a velocidade com que a situação fiscal se deteriorou.
A resposta dos credores internacionais começou a se tornar evidente, com os rendimentos dos títulos de longo prazo atingindo patamares elevados, os mais altos em quase 20 anos. Em reação a isso, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, revelou que o volume de recompra de títulos do Tesouro de 10 a 30 anos seria dobrado para um mínimo de US$ 4 bilhões por operação, numa tentativa de estabilizar os rendimentos.
Consequências dos gastos elevados
Os dados recentes indicam um déficit mensal de US$ 432 bilhões em julho, um dos maiores já registrados na história dos EUA, com os gastos com previdência e saúde em contínua ascensão. Nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, o déficit já ultrapassou o total registrado em todo o ano fiscal anterior.
Durante o governo de Trump, a dívida pública aumentou em US$ 7,8 trilhões, sendo que mais de metade desse valor se deu em resposta à pandemia nos últimos meses de seu mandato. Desde o início do segundo mandato de Trump em janeiro de 2025, a dívida cresceu em US$ 3,8 trilhões, totalizando US$ 11,6 trilhões durante suas duas gestões.
Paralelamente, o governo Biden adicionou mais US$ 8,4 trilhões à dívida, destinando recursos substanciais para a recuperação econômica pós-Covid, além de investimentos em infraestrutura e energia limpa. O Comitê para um Orçamento Federal Responsável concluiu que as políticas implementadas por ambos os presidentes elevaram a trajetória da dívida além dos padrões anteriores.
Atualmente, os Estados Unidos estão enfrentando gastos superiores a US$ 7 trilhões anualmente, sendo que 60% desse montante é alocado em programas obrigatórios, como Previdência Social e Medicare, cujos custos crescem conforme o aumento do custo de vida, além de um significativo pagamento de juros sobre uma dívida que já chega a US$ 1,1 trilhão.
Esses desafios fiscais estão pressionando os recursos disponíveis para seguridade social e cuidados médicos, enquanto as receitas tributárias permanecem aquém do necessário para cobrir as despesas federais.
Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.
