Pular para o conteúdo
noticiasmanha 28 de agosto de 2026

Dívida recorde nos EUA é resultado de guerra e tarifas

A dívida pública dos Estados Unidos atingiu um novo patamar histórico ao ultrapassar US$ 40 trilhões, impulsionada por cortes de impostos favoráveis aos mais ricos, inflação alimentada por conflitos no Oriente Médio e tarifas implementadas na administração anterior.

Estudos realizados por economistas apontam que o aumento contínuo dos gastos militares, que estão próximos de US$ 1 trilhão, combinado com o incremento significativo nos pagamentos de juros, que alcançaram US$ 1,1 trilhão, são fatores que contribuíram para essa cifra alarmante. Para se ter uma ideia, esse gasto é mais do que o dobro do que os US$ 419 bilhões consumidos em juros em 2021.

Especialistas indicam que a inflação, exacerbada pela guerra, juntamente com as políticas tarifárias da era Trump, geram uma instabilidade nos mercados que, por sua vez, eleva os juros dos títulos da dívida americana. No entanto, apesar do valor impressionante alcançado, a maioria dos analistas não acredita que os EUA estejam à beira de uma insolvência, o que poderia acarretar dificuldades para honrar seus compromissos financeiros.

Aspectos da Solvência Americana

De acordo com o professor Pedro Paulo Zahluth Bastos, do Instituto de Economia da Unicamp, um dos fatores que atenua o risco de falência dos EUA é sua capacidade de emitir moeda. Ele mencionou que, caso o mercado não opte por adquirir os títulos a preços atuais, o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) pode intervir e comprá-los, à semelhança do que já ocorreu em crises passadas.

Com a divulgação do recorde da dívida, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou que as operações de compra de títulos passarão de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões a partir de 9 de setembro.

Taxa de Juros em Ascensão

Os títulos do Tesouro dos EUA, tradicionalmente vistos como investimentos seguros, enfrentam um aumento nas taxas de juros, mas isso não gerou desconfiança generalizada sobre a capacidade de pagamento do país. Um aspecto relevante é que a maior parte da dívida é detida internamente, com US$ 4,5 trilhões pertencendo ao próprio FED.

Os especialistas alertam que o risco real de inadimplência está ligado a um impasse político que impeça o aumento do teto da dívida, enquanto a crescente carga de juros, inflacionada, continua sendo fonte de preocupação.

Causas do aumento da Dívida

A política de redução de impostos para os mais ricos sancionada durante os mandatos de Trump é considerada uma das principais causas para a expansão da dívida pública, resultando em uma queda na arrecadação e elevando o déficit. Estima-se que o governo federal incorra em um déficit extra de US$ 4,7 trilhões nos próximos dez anos devido a essas medidas, que também impactaram os financiamentos da saúde pública.

Os impactos dessa abordagem econômica são evidentes na concentração de renda, enquanto a arrecadação fiscal, que representa cerca de 25% do PIB, está consideravelmente abaixo da média de 34% das nações desenvolvidas que compõem a OCDE.

Impactos da Política Econômica

Conforme aponto pelo economista Pedro Faria, a diminuição da aquisição de títulos dos EUA por países como Brasil e China reflete a apreensão com as políticas econômicas atuais. O “risco Trump” tem gerado desconfiança na solidez das instituições financeiras fundamentais para a confiança nos títulos americanos, resultando no aumento das taxas de juros que encarecem o financiamento da dívida.

Embora a dívida pública dos EUA tenha ultrapassado a marca de US$ 40 trilhões, a expectativa de um calote iminente continua remota, pois a demanda por títulos permanece, mesmo com os juros em alta. O mercado de títulos dos EUA contabiliza 57% das reservas globais, ressaltando sua relevância e resiliência no sistema financeiro mundial.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.