Pesquisadores de 71 países apresentaram, esta semana, um relatório elaborado pelo Painel Internacional sobre o Ambiente da Informação, alertando sobre a previsão de uma degradação no ambiente informacional no próximo ano.
O estudo incluiu 470 especialistas que participaram de entrevistas entre maio e junho de 2026, sendo que 76% deles demonstraram um forte pessimismo quanto à possibilidade de melhoria nas condições informacionais.
Entre os principais achados da pesquisa, a falta de responsabilização das plataformas digitais foi destacada como a maior preocupação, recebendo 78% dos votos, considerada a principal ameaça à circulação de informações de qualidade.
Outras questões relevantes levantadas pelos especialistas incluem a desinformação (73%), a polarização (69%), a dominância de certas redes sociais (64%) e a existência de “bolhas de filtro” ou “câmaras de eco” (53%), as quais restringem o acesso a diferentes pontos de vista ao enfatizar apenas as crenças já existentes do usuário.
A influência da Inteligência Artificial
O relatório também indica que uma porcentagem relevante dos especialistas (47%) considera a Inteligência Artificial (IA) generativa uma ameaça ao ambiente de informação. Esses sistemas, que estão se tornando cada vez mais comuns ao fornecer resumos e respostas rápidas, podem resultar na diminuição do tráfego em sites de notícias e na redução da diversidade do conhecimento acessado pelos usuários.
De acordo com um levantamento realizado pelo Pew Research Center no início de 2026, 60% dos adultos nos Estados Unidos utilizaram respostas geradas por IA, que frequentemente ocupam as primeiras posições nas consultas online.
Aumento de censura e dificuldades de pesquisa
Um dado alarmante é que cerca de 60% dos entrevistados relataram enfrentar dificuldades para acessar informações essenciais relacionadas às suas pesquisas, devido a restrições impostas a muitos dados.
Além disso, a pressão de governos e empresas sobre investigações na área de informação tem aumentado. Entre 2025 e 2026, o percentual de pressão para que as pesquisas sigam a agenda governamental saltou de 21% para 33%, enquanto a censura imposta pelos governos cresceu de 11% para 23%.
