A Fundação do Câncer divulgou um novo relatório que revela que o melanoma, relacionado principalmente à pele, pode surgir em regiões como olhos, mucosas e órgãos internos. Essa manifestação extra cutânea do melanoma representa um sério risco à saúde devido à sua natureza agressiva e ao elevado potencial de metástases.
O informe, chamado Melanoma: nem sempre na pele, aparece na 12ª edição do documento da fundação. O foco principal é a importância da conscientização e da detecção precoce deste câncer. Um dos objetivos centrais é contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas que promovam melhor preparação e respostas mais eficazes ao câncer, buscando salvar vidas.
“Para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer. Conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo e orientar políticas públicas”, destaca a publicação.
Dados da plataforma info.oncollect, que compila registros hospitalares, revelam que o melanoma extracutâneo é menos frequente, representando cerca de 5,7% dos casos totais, mas sua letalidade é significativa.
Desafios no Enfrentamento do Melanoma
Alfredo Scaff, consultor da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, enfatiza a relevância da prevenção e do diagnóstico precoce, ressaltando: “O câncer é uma doença que pode ser curada quando detectada e tratada em sua fase inicial.” Analisando os dados entre 2014 e 2023, constatou-se que a cirurgia foi o tratamento inicial para 84,7% dos casos de melanoma, sendo a Região Sudeste responsável por 89,6% dos procedimentos cirúrgicos realizados.
No entanto, o deslocamento para tratamento especializado apresentou-se como um obstáculo significativo, com 20,2% dos pacientes da Região Centro-Oeste necessitando viajar para obter atendimento. Essa situação evidenciou as barreiras de acesso à saúde especializada, conforme apontado pela fundação.
Novos Tratamentos e Avanços
Conforme observado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), a quimioterapia é uma abordagem comum no tratamento do melanoma. Recentemente, a introdução de medicamentos inovadores, como os da classe anti-PD-1, resultou em um aumento significativo na taxa de resposta de pacientes com melanoma metastático, saltando de menos de 10% com quimioterapia para 70% com imunoterapia.
“Isso é um marco, já que a resposta clínica melhorou consideravelmente com a imunoterapia”, comemora Scaff.
Entretanto, a eficácia da imunoterapia no melanoma extracutâneo ainda precisa ser comprovada, como observado por Gélcio Mendes, coordenador de Assistência do Inca.
Limitações Financeiras e Acesso
Apesar do progresso nos tratamentos, o elevado custo dos medicamentos representa um grande desafio para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Scaff sugere que a centralização nas compras de medicamentos poderia ajudar a reduzir esses custos, possibilitando melhores negociações e promovendo a produção nacional dos mesmos.
Novas portarias para ampliar o acesso a esses tratamentos no programa de Assistência Farmacêutica em Oncologia no SUS ainda estão sob análise.
Dados Epidemiológicos sobre Melanomas Extrapele
Um estudo que analisou 42.255 casos de melanoma identificou que 92,2% eram melanomas cutâneos, enquanto 5,7% eram oculares e 2,5% de mucosa. Entre 1990 e 2021, foram registrados 1.324 casos de melanoma extracutâneo, com uma expressiva maioria de 75% ocorrendo nos olhos.
Esses dados ressaltam que o melanoma ocular pode não apresentar sintomas nas fases iniciais, evidenciando a necessidade de realização de exames regulares.
Melanoma de Pele e Mortalidade
O principal fator de risco para o melanoma cutâneo continua sendo a exposição à radiação UV. Embora esse seja o tipo mais comum de câncer de pele, ele representa apenas 4% dos casos de tumores malignos. Em 2023, o Inca registrou 2.047 óbitos por melanoma de pele no Brasil, evidenciando uma taxa de mortalidade preocupante.
Ao analisar por região, observa-se que, apesar de o Sul apresentar índices de incidência mais altos, a Região Norte possui uma letalidade maior, resultado de diagnósticos tardios.
Projeções Futuras
O Inca estima aproximadamente 9.360 novos casos de melanoma de pele para 2026, com a maior incidência ocorrendo entre homens. Esses dados visam fornecer subsídios para orientar políticas de saúde pública, tornando as abordagens de tratamento e prevenção mais eficientes.
