Em 15 de agosto de 2026, Porto Alegre será o cenário de um significativo movimento contra a intolerância religiosa, marcado pela 3ª edição da Marcha dos Quimbandeiros e pelo 19º Encontro Internacional de Quimbandeiros. Sob a liderança de Pai Ricardo de Oxum, um respeitado babalorixá da Sociedade Beneficente Cultural Oxum e Oxalá, os eventos têm o intuito de unir e empoderar os adeptos das religiões de matriz africana.
Com início programado para às 14h e às 20h, respectivamente, os eventos têm a ambição de se tornar um marco de relevância nacional e internacional para a Quimbanda, reunindo participantes do Brasil, Uruguai e Argentina. Pai Ricardo acredita que a realização desses encontros é essencial para enfrentar o preconceito que testemunham no Rio Grande do Sul, um estado que, apesar de contar com um considerável número de praticantes dessas religiões, apresenta altos índices de intolerância.
Dados alarmantes sobre intolerância
De acordo com o Censo Demográfico 2022 do IBGE, o Rio Grande do Sul abriga a maior proporção de seguidores de umbanda e candomblé do Brasil, totalizando 3,19% da população. No entanto, Pai Ricardo alerta para a preocupante realidade de discriminação, sublinhando que a Marcha dos Quimbandeiros teve início há 19 anos, com o objetivo de responder à opressão que seus adeptos enfrentam ao tentarem praticar sua fé publicamente.
O Disque 100, um serviço de recebimento de denúncias de violações aos direitos humanos, registrou entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 um total de 2.774 casos de intolerância religiosa, com um foco significativo nas tradições de matriz africana como Umbanda e Candomblé. Para Pai Ricardo, esses números evidenciam um racismo religioso estrutural que persiste em várias comunidades.
Celebrando e resistindo
A Marcha dos Quimbandeiros será um momento de celebração e resistência, com a participação de aproximadamente 2 mil pessoas no ano anterior. O evento contará com um trio elétrico e cartazes que reivindicam o combate à intolerância religiosa. Pai Ricardo enfatiza a necessidade de mostrar que entidades como Exu e Pomba-Gira fazem parte do bem e não devem ser reduzidas a estereótipos negativos.
Na busca por valorizar as tradições afro-brasileiras, Pai Ricardo planeja também a criação de um espaço histórico cedido pela prefeitura, onde será erguido o primeiro monumento ao Exu em céu aberto no Brasil. Essa ação pretende combater a discriminação e promover um entendimento mais profundo da espiritualidade afro-brasileira.
Cultura e desmistificação
A figura de Exu está ganhando cada vez mais representatividade fora do âmbito religioso. Um exemplo disso foi o desfile da Escola de Samba Grande Rio em 2022, que conquistou o primeiro lugar no Grupo Especial do Carnaval carioca, utilizando a narrativa que desmistifica Exu como um orixá que orienta e auxilia a humanidade, ressaltando sua dualidade entre o certo e o errado.
Dentro da programação do evento em Porto Alegre, a luta por inclusão e justiça social segue em frente, visando não apenas a celebração das tradições afro-brasileiras, mas também a resistência contra a intolerância religiosa e o racismo que ainda permeiam a sociedade brasileira.
Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.
