Exposição em São Paulo destaca a luta de padre Júlio e a realidade das pessoas em situação de rua
A partir de agora e até novembro, a Lacerdine Galeria de Arte, localizada no bairro Higienópolis, apresenta a mostra “A alfabetização do Olhar – um ato de amor e responsabilidade”. Este evento, que é gratuito para o público, presta uma homenagem ao trabalho do padre Júlio Lancellotti e à Pastoral do Povo da Rua, buscando despertar a consciência social sobre a população em situação de rua.
Com uma coleção de mais de 100 fotografias, o artista Geraldo Lacerdine reuniu trabalhos que vão além da simples representação, buscando humanizar os retratados. As imagens foram capturadas por fotógrafos renomados, como Daniel Camargo Kfouri, Fernando Jenzen, Tr3ze e Victor Angelo Caldini, incluindo registros feitos durante o auge da pandemia de covid-19.
Segundo padre Lancellotti, o objetivo da exposição é fazer com que as pessoas reconheçam os que vivem nas ruas como indivíduos com histórias e complexidade, não como estereótipos. Ele defende que, se a intenção é prestar uma homenagem, os verdadeiros protagonistas devem ser aqueles que estão em situação de vulnerabilidade. Esse enfoque é importante para Lacerdine, que busca estreitar a relação entre a sociedade e essa população marginalizada.
As fotografias que estão em exibição retratam uma gama diversificada de experiências. Algumas mostram as ações humanitárias do padre, quase o elevando a um status de santidade, enquanto outras revelam as alegrias e as dores do cotidiano das pessoas em situação de rua. O respeito nas capturas facilita a confiança entre fotógrafos e as pessoas retratadas, criando uma ligação mais profunda que vai além do documento visual.
O fotógrafo Tr3ze falou sobre a vitalidade da construção de laços de confiança em seu trabalho. Começando com registros de filas para recebimento de pães, ele notou que com o tempo as pessoas passaram a se sentir confortáveis para dialogar. “Muitos desejam ser escutados, pois muitas vezes são esquecidos pela sociedade”, compartilhou.
As obras não se limitam a documentos; são convites para que os espectadores reflitam sobre a realidade enfrentada pelas pessoas em situação de rua, promovendo um entendimento mais humano e empático dessa população frequentemente invisibilizada. A mostra busca incentivar todos a “alfabetizar o olhar”, estimulando uma nova maneira de enxergar o próximo.
