No dia 9 de agosto de 2023, o Ministério da Saúde estabeleceu uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) no Rio de Janeiro. O intuito dessa nova instalação é melhorar a assistência em situações de emergência de saúde e desastres climáticos. Ela terá um papel crucial no suporte aos estados da Região Sudeste, especialmente diante dos impactos esperados do fenômeno climático El Niño, que deve trazer chuvas intensas e ondas de calor à região em 2026.
A nova base está situada na sede da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), na zona sul carioca. Entre os recursos que estarão disponíveis na unidade, destacam-se equipamentos de comunicação via satélite, drones, veículos adequados e um posto médico avançado. O governo planeja também aumentar a eficácia da operação ao integrar equipes e voluntários durante situações de emergência, proporcionando respostas mais rápidas e eficientes.
Conforme declarado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, as equipes poderão alcançar qualquer local da Região Sudeste em até 12 horas a partir dessa nova estrutura. Essa iniciativa está em conformidade com a previsão de agravamento das mudanças climáticas, que, segundo analistas, trarão um aumento significativo na ocorrência de emergências, como secas e enchentes, em várias regiões do Brasil.
A unidade fluminense é a terceira desse tipo a ser implementada no Brasil, acompanhando as já existentes em Porto Alegre (RS) e Salvador (BA). O Ministério da Saúde prevê a inauguração de mais seis bases em distintas regiões até o final do ano.
Essas novas bases trabalharão em conjunto com os Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc), que têm a missão de coletar e analisar dados sobre fatores ambientais e demográficos, visando aprimorar a vigilância em saúde e a prevenção de doenças relacionadas a desastres naturais.
Um estudo da Fiocruz demonstrou que aproximadamente 120 mil mortes ocorreram no Brasil nos últimos 20 anos devido à falta de ações frente a ondas de calor, sublinhando a vulnerabilidade de grupos como idosos, mulheres e crianças. Com a iminência do El Niño, a Fiocruz também sugeriu que o SUS implemente sistemas de alerta e monitoramento, a fim de garantir um atendimento eficaz à população.
Além disso, uma nota técnica da Fiocruz ressaltou que eventos climáticos extremos, como enchentes e secas, não apenas causam impactos imediatos, mas também prolongados, afetando serviços, deslocando pessoas e agravando problemas de saúde mental.
A criação desta nova base responde a pesquisas que apontam a vulnerabilidade de grandes centros urbanos brasileiros, como o Rio de Janeiro, listado entre os 11 municípios mais afetados por ondas de calor, conforme um estudo realizado pela Universidade de Oxford.
