Na Terra Indígena (TI) Panará, localizada na Amazônia, um projeto inovador visa catalogar a fauna e a flora dessa rica região. Até agora, aproximadamente 15 mil indivíduos foram identificados em um vasto território de 500 mil hectares, que abrange a divisa entre os estados do Pará e Mato Grosso.
Liderada pela Conservação Internacional (CI-Brasil), em parceria com a Rede Xingu+, a Associação Indígena Iakiô, universidades e outras organizações, a iniciativa tem como meta proteger a biodiversidade local, que corre risco devido ao garimpo ilegal e a atividades irregulares.
Colaboração entre saberes
Expedições entre pesquisadores indígenas e acadêmicos têm sido realizadas no território, onde amostras são coletadas e imagens das espécies são registradas. Cutia, também conhecido como Kiarysy Kaiabi Panará, manifestou sua alegria em colaborar com cientistas, afirmando que “trabalhar juntos foi muito bom, um ensinou ao outro”.
Renata Pinheiro, diretora do programa de Povos Indígenas e Comunidades Locais da CI-Brasil, destacou o valor dessa união, ressaltando que “o conhecimento único dos Panará sobre seu território complementa as ferramentas tecnológicas que os acadêmicos trazem”.
Uso de tecnologias avançadas
Os integrantes da comunidade foram capacitados para utilizar tecnologias como GPS, aplicativos de catalogação e câmeras trap, que registram imagens de animais através de sensores de movimento e temperatura. Pentê Panará, uma das pesquisadoras, enfatizou que a tecnologia expandiu o conhecimento, permitindo a observação de espécies raras que poderiam passar despercebidas.
Ela também destacou a importância da participação feminina nas pesquisas, observando o entusiasmo das mulheres em aprender mais sobre o uso dessas ferramentas tecnológicas.
Novas descobertas
O inventário já contabilizou 602 espécies, das quais 27 estão ameaçadas de extinção. Uma árvore, chamada Já pelos Panará, está sendo analisada para determinar seu status científico, apesar de já ser conhecida pelo povo local. Renata Pinheiro explicou que novas coletas durante o período de floração da planta são necessárias para validar essa descoberta.
Desafios e perspectivas futuras
O projeto, embora tenha feito progressos significativos, enfrenta desafios financeiros que causaram interrupções nas expedições. No entanto, a equipe permanece esperançosa em retomar as atividades para concluir o inventário. “Há muito ainda a descobrir”, disse Pentê, referindo-se à possibilidade de catalogar mais espécies não registradas.
Ao final do projeto, os dados finais serão disponibilizados no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SIBBr), um portal aberto que compila registros sobre biodiversidade. A comunidade indígena e os pesquisadores terão a chance de coautorizar as publicações, garantindo que seu conhecimento seja formalmente reconhecido. Renata também enfatizou a criação de um protocolo para assegurar que as informações sejam compartilhadas de maneira respeitosa com os Panará, mantendo a ligação com suas tradições orais.
Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.
