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Laudo descarta suicídio e aponta assassinato de policial em SP

Análise pericial do Instituto de Criminalística de São Paulo revelou que a possibilidade de suicídio da soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana, é inviável. O laudo, finalizado na última terça-feira (1º), indica que as evidências encontradas na cena do crime não sustentam a hipótese de um ato suicida.

Esse documento destaca que as características das manchas de sangue e outros materiais coletados apontam para a intervenção de outra pessoa, reforçando a suposição de que Gisele tenha sido assassinada. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que foi o companheiro de Gisele, é réu em um processo por feminicídio relacionado ao caso, que ocorreu em fevereiro deste ano.

Segundo o laudo, “a hipótese de intervenção de segunda pessoa resistiu ao confronto com a totalidade dos elementos objetivos examinados”. Gisele foi encontrada sem vida, com um tiro na cabeça, em seu apartamento no dia 18 de fevereiro, e o tenente-coronel, que estava presente na cena, inicialmente contatou os serviços de emergência, sustentando a versão de suicídio, que posteriormente foi modificada para uma morte suspeita. Desde o começo, a família de Gisele rebatia essa narrativa.

O suspeito foi detido no dia 18 de março em São José dos Campos (SP) e atualmente está encarcerado no Presídio Militar Romão Gomes, na capital.

Em uma declaração à imprensa, o advogado da família de Gisele, José Miguel Silva Junior, ressaltou que os resultados não causaram surpresa, pois laudos anteriores também dissertavam sobre a exclusão da hipótese de suicídio. “Desde o início, sempre consideramos a possibilidade de feminicídio. Os laudos já demonstravam que Gisele não poderia ter cometido suicídio”, enfatizou o advogado, acrescentando que essa afirmação foi corroborada pela perita em seu depoimento.

Uma nova audiência está agendada para a próxima terça-feira (8), onde o réu será chamado para prestar depoimento.

Detalhes sobre o caso

Laudos necroscópicos feitos pelo Instituto Médico Legal (IML) revelaram lesões contusas no rosto e na região do pescoço de Gisele, indicando pressão digital e escoriações, possivelmente provocadas por unhas.

Uma testemunha da vizinhança relatou ter escutado um disparo às 7h28 do dia em que Gisele faleceu. O tenente-coronel acionou a polícia às 7h57, evidenciando um intervalo significativo até que o socorro fosse solicitado.

O advogado também observou uma fotografia da vítima segurando a arma, capturada pelos socorristas, argumentando que essa situação é incomum em incidentes de suicídio. Além disso, ele mencionou que três policiais mulheres compareceram ao apartamento do casal algumas horas após o evento para efetuar uma limpeza, o que foi confirmado em seus testemunhos.