Nesta sexta-feira (18), durante um evento de segurança pública no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua firme oposição à caracterização de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, uma afirmação atribuída ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro contou com a presença de autoridades de diversas esferas do governo, incluindo federal, estadual e municipal.
Lula destacou a necessidade de reconquistar áreas urbanas controladas por traficantes, defendendo a urgência de uma vitória sobre o crime organizado. “A ideia de que as facções são terroristas, como diz Trump, eu não aceito”, disse, enfatizando que, em sua visão, o conceito de terrorismo relacionado às declarações de Trump se relaciona mais a uma luta pelo poder e a ações estatais.
O presidente ainda mencionou que o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão, esteve implicado em um plano que englobava até assassinatos. Segundo Lula, esses comportamentos se aproximam mais do que ele considera terrorismo de Estado.
Além de contestar as falas de Trump, Lula criticou a inércia do governo norte-americano na combate a grupos como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Recentemente, Trump, em um documento ao Congresso, declarou que o Brasil é incapaz de enfrentar o crime organizado, levando os EUA a classificar essas facções como organizações terroristas estrangeiras em maio deste ano.
Iniciativas de Segurança
No mesmo evento, foram divulgados convênios entre os governos federal, estadual e municipal com foco no combate ao crime. As novas parcerias compreendem:
- Proteção integrada dos corredores logísticos, visando a luta contra roubos de carga nas principais rotas do estado;
- Uma Política Estadual de Reocupação Territorial para limitar a influência de organizações criminosa;
- Capacitação da Força Municipal, em cooperação com a Guarda Municipal e agências federais.
Os acordos, assinados no começo de setembro com validade de cinco anos, são considerados uma abordagem piloto que, se alcançar êxito no Rio, poderá ser expandida para outras regiões do Brasil. O governador interino do estado, Ricardo Couto, ressaltou que, em colaboração com o governo federal, o estado está demonstrando capacidade para enfrentar o crime sem depender de auxílio externo.
Vigilância e Políticas Públicas
Lula realçou a necessidade de aumentar a vigilância nas áreas dedicadas à exploração de petróleo e recursos minerais, afirmando que Trump possui interesses nessa área. A integração das forças de segurança foi vista como um sinal positivo para a população, de acordo com Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio, que ressaltou a importância da troca de informações para ações mais eficazes.
O evento, que ocorreu no Complexo da Polícia Rodoviária Federal, simbolizou o compromisso das autoridades em cooperar para aprimorar a segurança na região metropolitana do Rio de Janeiro.
