No dia 26 de novembro, o Tribunal do Júri dará início ao julgamento dos policiais acusados de assassinar Kathlen Romeu, um crime que ocorreu há cinco anos. Jacklline de Oliveira, mãe da vítima, faz um apelo à sociedade para que se mobilize em busca de justiça, uma vez que o caso enfrenta sérios obstáculos legais até o momento.
Em 8 de junho de 2021, Kathlen, que estava grávida de quatro meses, foi alvejada por disparos de policiais militares enquanto visitava sua avó em uma movimentada rua no Lins de Vasconcelos, Zona Norte do Rio de Janeiro. A jovem não conseguiu sobreviver aos ferimentos e perdeu também o filho que esperava. “Estamos no melhor momento das nossas vidas, e eu fui do céu ao inferno com 40 anos”, desabafa Jacklline.
Mobilização e solidariedade
Amigos e familiares de Kathlen têm se mobilizado para garantir que o crime não caia no esquecimento, levando à acusação dos policiais Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano. Embora inicialmente absolvidos pela Justiça Militar, esses policiais foram condenados em instâncias superiores e responderão pelo crime em liberdade, estando afastados de suas funções na corporação.
A mãe de Kathlen ressalta a importância do apoio social e a urgência de uma resposta contundente da sociedade contra a letalidade policial. “Se esses policiais não forem punidos, a sociedade civil também estará matando Kathlen e o seu bebê”, afirma. Jacklline e Luciano Gonçalves, o pai de Kathlen, vivem o luto enquanto aguardam um desfecho para sua busca por justiça.
Um ambiente de impunidade
Um estudo da Rede de Observatórios da Segurança aponta que, no Rio de Janeiro, apenas uma pequena parcela das mortes causadas por policiais resulta em denúncias. A família de Kathlen teve de enfrentar um longo caminho, apresentando queixas contra promotores envolvidos no caso, que sugeriram o arquivamento do processo.
O caso de Kathlen é um exemplo da luta por justiça em um cenário que muitas vezes silencia as vozes das vítimas de violência policial. Jacklline enfatiza que sua luta vai além da memória da filha; é uma defesa de todos os jovens de comunidades periféricas, que frequentemente enfrentam a discriminação e marginalização de um sistema desigual.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2025, a polícia do estado do Rio de Janeiro foi responsável pela morte de 798 pessoas, evidenciando a questão alarmante da letalidade policial. Jacklline expressou a esperança de que essas tragédias não sejam em vão e que mudanças reais sejam implementadas para impedir que novos casos como o de sua filha aconteçam.
Aguardando o julgamento
Com o julgamento se aproximando, Jacklline acredita na importância do engajamento da sociedade. “Entrarei no tribunal com a esperança de que a sociedade civil, que se indigna e chora comigo, esteja lá, lutando por justiça”, conclui. Essa mobilização em torno do caso demonstra um clamor por transformação e justiça na aplicação da lei, em um contexto marcado por desigualdade social.
