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Mendonça retira sigilo de processo sobre Vorcaro e pagamentos

Em 14 de setembro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou a decisão de eliminar o sigilo de um processo que envolve a rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o qual é conhecido por ser o proprietário do Banco Master.

Essa determinação surgiu após uma solicitação do presidente do STF, Edson Fachin, que recebeu contato do ministro Alexandre de Moraes, que enfatizou a necessidade da quebra do sigilo para que se pudesse realizar a análise dos documentos antes do julgamento marcado para 15 de setembro.

Com a revogação do sigilo, 54 investigações vinculadas à Operação Compliance Zero agora se tornam públicas. Essa operação investiga alegações de corrupção atribuídas a Vorcaro, que teriam gerado bilhões em fraudes financeiras e na corrupção de servidores públicos.

A Espera do Julgamento

Durante o julgamento programado, os ministros do STF revisarão um relatório da Polícia Federal, que contém 52 mensagens que supostamente foram enviadas por Vorcaro a Moraes. Essas mensagens foram extraídas do celular do ex-banqueiro, que foi confiscado em sua prisão preventiva, ocorrida em novembro de 2025.

Dentre as mensagens, um contrato no valor de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, se destaca. Além disso, Vorcaro procura informações sobre as operações da PF que resultaram em sua detenção, mas as respostas de Moraes não foram recuperadas pelos investigadores.

A crise se acirrou no início de setembro, quando Mendonça autorizou a divulgação do conteúdo, gerando tensão no STF e um confronto entre os ministros. A Procuradoria-Geral da República (PGR) contestou a legitimidade do relatório, argumentando que Mendonça procedeu sem a devida comunicação ao plenário em relação a investigações que afetavam um colega ministro.

Conflito de Ações

Em meio a essa controvérsia, Moraes divulgou um alegado “relatório de inteligência” da PF, sugerindo que Mendonça estava conduzindo as investigações visando adversários políticos. Porém, o documento em questão não possui assinatura ou timbre oficiais, o que faz com que se apresente como uma suposição sem valor legal.

Como resposta à situação, Moraes pediu a Fachin que iniciasse uma investigação contra Mendonça, acusando-o de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Fachin programou a votação deste pedido para 23 de setembro.