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noticiasmanha 29 de agosto de 2026

Nova diretriz altera tratamento da tireoide na gestação

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, junto com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, apresentou novas orientações durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, que aconteceu no Rio de Janeiro em 28 de agosto de 2026. Os estudos mais recentes sugerem que mulheres grávidas com anticorpos anti-TPO positivos e funcionamento normal da tireoide não devem ser submetidas a tratamento hormonal.

Alterações importantes nas recomendações

As diretrizes foram reformuladas com base em três estudos significativos e em linha com as diretrizes da Associação Americana da Tireoide, publicadas em junho de 2026, que substituíram as normas anteriores de 2017. Com isso, mulheres grávidas que possuem anticorpos positivos e cuja tireoide está funcionando normalmente não precisam utilizar levotiroxina de maneira preventiva, visto que essa prática não demonstrou diminuição nas taxas de aborto espontâneo ou de parto prematuro.

Monitoramento contínuo da função tireoidiana

Ainda que as novas diretrizes tenham sido instituídas, as gestantes devem continuar a ser monitoradas quanto à função tireoidiana. Segundo Cleo Mesa Júnior, subcoordenador do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a presença de anticorpos positivos indica uma predisposição, mas não justifica intervenção imediata se os níveis de TSH e T4 se mantiverem normais.

Rastreamento e tratamento do hipotireoidismo

A abordagem adotada no Brasil mantém o rastreamento precoce para todas as gestantes, diferindo da recomendação da ATA, que sugere que essa prática ocorra apenas com mulheres que apresentem fatores de risco específicos. Essa estratégia é voltada para a identificação antecipada de mulheres que realmente necessitam de tratamento, o que evita a prescrição indiscriminada de medicações. O tratamento do hipotireoidismo subclínico terá atenção especial no primeiro trimestre da gestação, período em que o desenvolvimento fetal é mais afetado pela quantidade de hormônios tireoidianos da mãe.

Reavaliação dos critérios de risco

Na atualização das diretrizes, os critérios de rastreamento foram revisados, agora dando prioridade a mulheres com histórico de problemas tireoidianos, cirurgias prévias, doenças autoimunes e outros fatores relevantes. Características como a idade materna e o número de gestações foram excluídas como critérios isolados.

Recomendações sobre o iodo

Sobre a suplementação de iodo, as novas diretrizes enfatizam que essa deve ser individualizada, especialmente para gestantes que seguem dietas restritivas ou que apresentam risco de ingestão insuficiente. A quantidade recomendada fica entre 100 a 150 µg por dia, levando em consideração o aumento das necessidades de iodo durante a gravidez e a amamentação.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.