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Paulo Roberto Teixeira morre, referência no combate à aids

Falece Paulo Roberto Teixeira, um ícone no combate à aids no Brasil

Paulo Roberto Teixeira, médico renomado por suas valiosas contribuições para a saúde pública, faleceu aos 77 anos neste sábado (19). Ele foi fundamental na criação das primeiras políticas governamentais brasileiras para o enfrentamento da aids, em uma época em que a doença era mal compreendida e cercada de preconceitos.

Na década de 1980, Teixeira estava à frente de um programa de combate à hanseníase em São Paulo, quando os primeiros casos de aids começaram a aparecer. Sua experiência com a hanseníase, uma condição também marcada pelo estigma social, o motivou a implementar políticas de saúde que asseguravam o direito à assistência abrangendo desde a prevenção até o acesso aos tratamentos, incluindo antirretrovirais, em parceria com a sociedade civil.

No ano de 2000, enquanto coordenava o Programa Nacional de DST/Aids no Ministério da Saúde, ele se manifestou sobre os altos preços dos medicamentos, que dificultavam o acesso universal ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em defesa da saúde, Teixeira apoiou a ideia de quebra de patentes, alertando que a legislação de patentes de 1996 limitava esse direito fundamental.

Além disso, ele foi um dos responsáveis pela criação de um programa internacional focado na transferência de tecnologia para a produção de antirretrovirais genéricos em países do Sul global. Esse esforço foi crucial, resultando em 2001 no reconhecimento pela Organização Mundial do Comércio de que o direito à saúde deveria ter prioridade sobre as regras de propriedade intelectual, apoiando assim os países em desenvolvimento na busca por acesso a tratamentos.

Em 2003, Paulo Roberto Teixeira passou a liderar o Departamento de HIV/Aids da Organização Mundial da Saúde, onde introduziu a estratégia 3 by 5, que visava oferecer tratamento a 3 milhões de pessoas vivendo com HIV até o final de 2005.

O Ministério da Saúde lamentou a morte de Teixeira, reconhecendo sua incansável dedicação aos direitos humanos, ao conceito de saúde como um direito inalienável e à promoção do acesso universal ao tratamento e à prevenção da aids.