No dia 31 de outubro, os Estados Unidos anunciaram um acordo com a Venezuela, que engloba a gestão de 21% das reservas petrolíferas do país. Essa parceria com a North American Blue Energy Partners (Nabep), uma empresa conectada ao Pentágono, poderá se prolongar por até um século.
A Nabep, que tem 35% de suas ações supervisionadas pelo Departamento de Guerra dos EUA, ficará responsável pela operação nos campos de petróleo venezuelanos. A Casa Branca informou que a empresa ofereceu ao Departamento de Estado o direito de adquirir 20% da produção a um preço avantageoso e assegurou prioridade na aquisição do restante, além de garantir a possibilidade de veto sobre membros do seu conselho administrativo.
O comunicado governamental destaca que a maior parte do conselho da Nabep será composta por cidadãos americanos e sublinha que as disposições do acordo precisam obedecer às leis e jurisdições dos Estados Unidos.
Controvérsias do Acordo
Contrariando as declarações da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que mencionou um prazo de 25 anos para a parceria, especialistas e grupos chavistas consideram o acordo como uma forma de “neocolonialismo”.
No início do ano, em 3 de janeiro, a comunidade internacional considerou ilegal a captura do presidente Nicolás Maduro. A Venezuela, com as maiores reservas de petróleo do mundo, já começava a mostrar sinais de adaptação, alterando a Lei do Petróleo em menos de um mês após o sequestro, liberando a operação de empresas privadas na exploração, uma prática que antes era restrita.
A pesquisadora Thaís Batista, do Observatório Político Sul-Americano, observa essa relação entre os EUA e a Venezuela como neocolonial, apontando a manipulação da política local e a pressão exercida por potências estrangeiras.
Aumento da Produção e Impacto Econômico
A colaboração entre Washington e Caracas se estabelece em um contexto marcado pela diminuição das reservas de petróleo no mundo, influenciado pela guerra no Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Nos Estados Unidos, um dos principais pontos de crítica à administração Trump se refere ao crescimento dos preços dos combustíveis, especialmente próximo às eleições legislativas.
A Nabep, sediada em Barbados, declarou que, após um investimento de US$ 1 bilhão, sua produção na Venezuela passou de 18 mil para 200 mil barris por dia, um aumento superior a dez vezes, consolidando-se como a segunda maior produtora do país.
Cláusulas de Longo Prazo
O acordo, assinado pelos secretários da Guerra e do Estado, Pete Hegseth e Marco Rubio, garante aos Estados Unidos direitos de governança, propriedade econômica e fornecimento a preços baixos durante um século, abrangendo 17 campos com uma estimativa de 65 bilhões de barris de petróleo.
Essa quantidade representa 21% dos 303 bilhões de barris de reservas comprovadas da Venezuela. Delcy Rodríguez argumentou que o país optou pela “via da diplomacia” nas negociações com os EUA e salientou a importância de investimentos para que os recursos possam beneficiar a população.
Críticas e Apoios Internos
A proposta gerou reações negativas entre setores da base chavista, como a Frente Popular Antiimperialista, que questionou a submissão aos interesses americanos.
Por outro lado, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) defendeu o acordo como uma medida para revitalizar a economia do país. Maduro Guerra, filho de Nicolás Maduro, afirmou que o governo sempre esteve disposto a receber investimentos dos EUA, desde que as condições da Venezuela sejam respeitadas.
Para Thaís Batista, o que acontece na Venezuela tem um impacto significativo na integração latino-americana, especialmente enquanto os Estados Unidos buscam garantir seus interesses na região.
