Pular para o conteúdo
August 11, 2026

PF investiga aporte de R$ 97 milhões de previdência de Maceió

Nesta segunda-feira (10), a Polícia Federal (PF) em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) deu início a uma operação para apurar possíveis irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em negócios relacionados ao Banco Master.

O Banco Master, que pertencia ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. A instituição enfrenta sérias acusações de infrações às normas do Sistema Financeiro Nacional e atravessa uma grave crise de liquidez.

Mandados de busca e apreensão

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a execução de oito mandados de busca e apreensão. As diligências foram realizadas em diversas cidades de Alagoas e São Paulo.

Investigados na operação

Entre os indivíduos sob investigação, destaca-se João Felipe Alves Borges, que é o atual secretário de Fazenda de Maceió e foi membro do Conselho de Administração do Iprev nos períodos suspeitos. Os alvos da operação incluem:

  • Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev;
  • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev;
  • Renan Foglia Calamia, consultor da empresa Crédito & Mercado;
  • Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda;
  • Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

As buscas têm como objetivo apreender computadores, documentos e outros materiais relevantes nos domicílios e escritórios dos investigados, bem como nas sedes do Iprev e da consultoria em questão.

Suspeitas de gestão fraudulenta

As investigações da PF revelam que as irregularidades estão ligadas a dois investimentos do Iprev em letras financeiras do Banco Master, sendo a primeira aplicação de R$ 97 milhões feita em dezembro de 2023 e a segunda de R$ 17 mil em maio de 2024. A apuração visa entender como foram conduzidos o credenciamento, as cotações e as análises de risco que culminaram nessas decisões de investimento.

O ministro Mendonça apontou na autorização que existem indícios de um “possível direcionamento dos investimentos” e alertou sobre a exposição do patrimônio previdenciário a ativos de alto risco e baixa liquidez.

Documentos obtidos pela PF indicam que as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) foram preenchidas com justificativas genéricas, carecendo de análises adequadas ou comparativas. O Iprev, por seu lado, emitiu uma nota afirmando que todos os processos respeitaram as normas vigentes e, desde 2021, o patrimônio do instituto cresceu de R$ 400 milhões para mais de R$ 1,6 bilhão, assegurando a solvência para aposentados e pensionistas. O instituto também declarou estar cooperando nas investigações.

Ainda não se conseguiu contato com os investigados, mas eles têm espaço para se manifestar.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.