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Comece o dia bem informado! 15 de agosto de 2026

Relatório aponta 258 indígenas assassinados e aumento da violência

Segundo um estudo recente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Brasil registrou 258 assassinatos de indígenas em 2025, um incremento em comparação com os 211 casos do ano anterior. Os estados que mais sofreram com esses crimes foram Roraima, com 82 mortes, seguido de Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37), de acordo com informações do Sistema de Informação sobre Mortalidade e da Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai).

Violência sem precedentes

O Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil retrata um cenário alarmante de aumento da violência, que vai além dos assassinatos e inclui invasões de terras e uma intensificação dos conflitos pelos direitos territoriais. O documento evidencia um crescimento expressivo em três modalidades de violência: contra a pessoa, contra o patrimônio e devido à omissão do Poder Público, além de um aumento nas taxas de suicídio e na mortalidade infantil.

Um episódio destacado no relatório envolve um ataque onde quatro indígenas da etnia Avá-Guarani foram baleados na Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá, no oeste do Paraná, uma área problemática em termos de disputa de posse. Um dos feridos ficou com paralisia da cintura para baixo. Outro relato é o do assassinato do Pataxó Vitor Braz, na Bahia, e do Guarani Kaiowá Vicente Fernandes, morto em Mato Grosso do Sul em novembro, ambos envolvidos em lutas por terras já demarcadas.

O relatório salienta: “As violências e violações observadas em 2025 são consequência direta dos ataques aos direitos territoriais indígenas e da paralisia judicial em relação à Lei 14.701/2023, a conhecida Lei do Marco Temporal”.

Violência contra o patrimônio indígena

No ano de 2025, contabilizou-se 1.276 casos de violência contra o patrimônio indígena, dos quais 897 estavam relacionados à falta de regularização das terras, 169 a conflitos territoriais e 210 a invasões ilegais e exploração de recursos naturais. Do total de 1.443 territórios indígenas no Brasil, 897 estão à espera de medidas administrativas para regularização, enquanto 582 nunca receberam qualquer ação para iniciar o processo de demarcação.

Embora algumas iniciativas de reconhecimento e demarcação de terras tenham sido tomadas, elas não atendem suficientemente à demanda dos povos indígenas, pois muitos processos permanecem paralisados devido a disputas jurídicas.

O relatório expressa uma preocupação: “Enquanto avanços foram registrados, ainda são muito abaixo do que se requer ante as graves necessidades dos povos indígenas”.

Consequências da desassistência

Os dados também indicam um aumento alarmante nas taxas de suicídio entre indígenas, com 215 casos em 2025, superando os 208 de 2024. Os estados mais impactados são Amazonas (77), Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (37). A maioria dessas mortes ocorre entre jovens adultos e adolescentes.

A mortalidade infantil é igualmente preocupante, com 1.024 mortes de crianças até 4 anos, um aumento em relação ao ano anterior. Desse total, 57% das mortes estão ligadas a causas evitáveis, como doenças respiratórias e desnutrição.

Adicionalmente, as comunidades indígenas enfrentam uma grave carência de infraestrutura em saúde, que se intensifica devido à poluição dos recursos hídricos utilizados por essas populações.

Grupos isolados em risco

O relatório também enfatiza a situação vulnerável dos povos indígenas em isolamento voluntário. Foram identificados 119 registros, porém apenas 28 foram confirmados pela Funai. As terras que abrigam esses grupos enfrentam ameaças de invasões e danos, o que aumenta o risco de genocídio.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.