A inquietação entre analistas de tecnologia e geopolítica sobre a eventual interferência em eleições no Brasil, marcada para outubro, é crescente. Especialistas como Reynaldo Aragon ressaltam que a tensão entre os Estados Unidos (EUA) e o Brasil pode se intensificar nesse cenário.
A adoção de medidas punitivas pelo governo de Donald Trump, como tarifas elevadas e a revogação de vistos para autoridades brasileiras, é um indicativo de que novas estratégias, especialmente cibernéticas, estão em curso. O memorando assinado em 12 de agosto por Trump provocou grandes apreensões, pois ele permite a colaboração entre a Casa Branca e plataformas tecnológicas para realizar vigilância cibernética.
“Os efeitos desse memorando são preocupantes. Isso envolve espionagem e hackeamento de níveis elevados, permitindo acessos profundos aos perfis pessoais de cidadãos para compilar relatórios sobre candidatos”, advertiu Aragon.
O memorando, apresentado como uma medida contra crimes cibernéticos, abre espaço para que empresas privadas tenham acesso a sistemas de informação sem o consentimento dos proprietários. Além disso, a nova “Operação de Efeitos Cibernéticos” pode resultar em ações que danifiquem redes de telecomunicações e sistemas essenciais.
Implicações da Interferência Oculta
As tentativas de interferência através de ações cibernéticas podem ocorrer de forma clandestina, ao contrário de intervenções que são claramente visíveis. Aragon aponta que a manipulação passa longe dos perfis de redes sociais, abrangendo um espectro mais amplo de riscos.
“O impulsionamento de perfis nas redes sociais é apenas uma das táticas em prática. Há um risco sistêmico muito maior em questão”, completou.
No mês de julho, o Brasil negou visto a dois membros do Departamento de Estado dos EUA, devido a suspeitas de que estivessem tentando colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
Deslegitimação do Processo Eleitoral
O professor Euclides Vasconcelos acredita que o Brasil deve se preparar para novas tentativas de deslegitimar seu processo eleitoral. Ele sustenta que as grandes empresas de tecnologia desempenham um papel crucial nesse contexto, atuando como entidades ligadas a governos que podem influenciar a opinião pública em prol de interesses específicos.
“As big techs não são apenas plataformas de discussão. Elas estão vinculadas a Estados, capazes de mobilizar desejos e influenciar demograficamente”, comentou.
Casos como a imigração em massa para Ceuta, na Espanha, demonstram como as plataformas digitais podem propagar informações falsas. Além disso, a associação de executivos de empresas de tecnologia com a posse de Trump evidenciam a intersecção entre interesses corporativos e a geopolítica americana.
Doutrina Estatal e Controles Regionais
A nova doutrina de segurança dos EUA, que será apresentada no final de 2025, reafirma o compromisso do país em manter sua influência na América Latina. Vasconcelos menciona que a próxima eleição no Brasil será um importante cenário para a geopolítica dos EUA na região, referindo-se a um vídeo do Departamento de Estado que assegura a continuidade da dominância americana.
“O Brasil sempre foi visto como uma chave para desafiar a influência dos EUA. A dinâmica atual é uma repetição de um padrão histórico”, concluiu o especialista.
Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.
