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Comece o dia bem informado! 23 de agosto de 2026

Takhi, cavalo selvagem símbolo de restauração na Mongólia

A população de cavalos selvagens takhi, conhecidos como cavalos-de-Przewalski, no Parque Nacional Hustai, na Mongólia, atingiu um total de 354 indivíduos vivendo livremente em suas estepes. Esses animais, que estavam extintos na natureza por quase 30 anos, foram reintroduzidos através de um projeto colaborativo desenvolvido por pesquisadores de diversas partes do mundo.

O takhi é um símbolo nacional e possui grande representação na cultura mongol, aparecendo em itens como vestimentas, brinquedos, grafites e produtos comerciais. De acordo com Dashpurev Tserendeleg, o diretor do parque, a recuperação do takhi é um orgulho para os mongóis. “Takhi simboliza respeito e adoração, representando o espírito livre e a resistência. Estes animais são muito especiais para nós,” afirmou.

Uma História de Extinção e Retorno

No século 19, o cavalo takhi foi redescoberto pelo explorador russo Nikolai Przhevalsky, que enviou exemplares para a Europa. Nas primeiras décadas do século 20, a captura de 88 animais em meio à crescente demanda resultou em apenas 12 descendentes. A deterioração do seu habitat levou ao último avistamento de um takhi na Mongólia em 1968, culminando na declaração da espécie como extinta na natureza.

Na década de 1970, um programa de reprodução em cativeiro foi iniciado por conservacionistas holandeses. Em 1992, 15 takhis foram reintroduzidos no Parque Nacional Hustai, e nos anos seguintes, mais de 80 indivíduos retornaram ao seu habitat. Para se readaptarem, os cavalos passaram por uma fase de adaptação visando recuperar suas habilidades de sobrevivência que haviam sido afetadas durante o tempo em ambiente controlado na Europa.

O sucesso do programa foi encorajador: a população cresceu, e além dos 354 animais no parque, colônias reintroduzidas em outras regiões da Mongólia totalizam cerca de 800 takhis.

Desafios e Sustentabilidade

Apesar de sua área relativamente pequena de 50 mil hectares, o Parque Nacional Hustai enfrenta desafios administrativos significativos. A conservação da espécie depende da proteção das estepes, que estão sob ameaça devido às mudanças climáticas e ao crescimento da pecuária, sendo a receita do parque proveniente em 90% do turismo. Atualmente, a Mongólia abriga cerca de 58 milhões de animais de rebanho, o que resulta na degradação de algumas áreas.

Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) em Ulaanbaatar, a restauração de habitats e a conservação das terras foram reconhecidas como prioridades. Para enfrentar essas dificuldades, o parque está implementando alternativas econômicas para as comunidades nômades, com o intuito de diminuir a dependência da pecuária.

As iniciativas em apoio incluem turismo comunitário, agricultura em estufas e atividades de artesanato. Tserendeleg finaliza: “Se os pastores tiverem outras fontes de renda, não será necessário aumentar o número de animais. Proteger a natureza é vital para garantir a segurança do parque e do takhi.”

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.