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Trituração de pintinhos é revelada em investigação da indústria de ovos

Uma investigação realizada pela Mercy For Animals (MFA) revelou uma prática alarmante na indústria de ovos: a trituração de pintinhos machos recém-nascidos. Em um grande incubatório na Região Sul do Brasil, aproximadamente 35 mil pintinhos morreram em um único dia, gerando indignação entre defensores dos direitos dos animais.

Menos de 24 horas após o nascimento, os pintinhos eram expostos a máquinas com lâminas de alta velocidade. A justificativa das indústrias é que os machos não conseguem pôr ovos e geralmente não se encaixam nos padrões de produção de carne.

Luiza Schneider, vice-presidente de Investigações da MFA, destacou que a pesquisa não se trata de um caso isolado, mas de uma prática comum em larga escala na indústria. “Após o nascimento, os pintinhos já têm a capacidade de sentir dor e medo, pois seu sistema nervoso está completamente desenvolvido”, afirmou Luiza.

Irregularidades adicionais também foram observadas, como o descarte de fêmeas com anomalias ou que excediam a demanda dos produtores. Embora em menor proporção, essas práticas evidenciam a falta de sensibilidade da indústria em relação ao bem-estar animal.

Opções Sustentáveis na Indústria

Para abordar essa questão, a MFA propõe a técnica de sexagem in ovo, que identifica o sexo do embrião antes da eclosão e permite eliminar os ovos de machos, evitando o nascimento para descarte. Esse método já tem sido aplicado com êxito em vários países, especialmente na União Europeia, onde aproximadamente 130 milhões de aves são produzidas com essa tecnologia.

Pais como Alemanha, França, Áustria e Itália já proíbem a trituração. Recentemente, o Brasil começou a adotar essa tecnologia, com a primeira máquina de sexagem in ovo inaugurada em julho de 2025 no incubatório da Hy-Line do Brasil, visando oferecer alternativas mais éticas para a produção de ovos.

Desafios da Implementação

A adoção da sexagem in ovo, no entanto, enfrenta desafios financeiros. O método tradicional custa cerca de R$ 7 por ave, enquanto as novas tecnologias podem aumentar esse valor em R$ 5 a R$ 10 por ave. Essa elevação representa um aumento de 80% a 150% no custo por ave, embora análises indiquem que, diluindo esse impacto ao longo do ciclo de produção, o efeito sobre o consumidor final pode ser mínimo.

Vanessa Garbini, da MFA, argumenta que os avanços em outros países na adoção de novas tecnologias mostram que essa mudança é economicamente viável. “A experiência de países como Suíça e Noruega, que adotaram a sexagem in ovo ao perceberem seus benefícios, demonstra que essa transição é possível”, explicou Vanessa.

Mudanças Legislativas em Trâmite

No Brasil, não existe uma legislação federal que proíba explicitamente o descarte de pintinhos machos. Contudo, o assunto já é debatido no Congresso Nacional por meio de dois projetos de lei: o PL 783/2024, proposto pela deputada Luciene Cavalcante (PSOL-SP), e o PL 3034/2026, apresentado pela deputada Heloísa Helena (Rede-RJ). O primeiro já foi aprovado em comissões importantes e deverá ser discutido no plenário em breve.

A Constituição Brasileira veda práticas que impliquem crueldade contra os animais, e a MFA acredita que esses dispositivos legais são essenciais no enfrentamento a essas crueldades.

A Percepção do Consumidor

Uma pesquisa da Innovate Animal Ag com 1.553 consumidores de ovos apontou que 73% se sentem desconfortáveis com o abate de pintinhos machos e 76% defendem a implementação de alternativas na indústria. Além disso, 79% demonstraram interesse em comprar ovos provenientes da sexagem in ovo, com muitos dispostos a pagar um preço adicional.

Luiza Schneider observa que a falta de informações sobre esses processos pode minar a pressão social por mudanças. Vanessa Garbini acredita que aumentar a conscientização da população será essencial para estabelecer legislações mais rigorosas que protejam os direitos dos animais.