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August 11, 2026

Vigilância é essencial para conter sarampo em SP

A situação da cobertura vacinal contra o sarampo em São Paulo, atualmente em cerca de 75%, evidencia uma preocupação crescente, uma vez que a taxa ideal de 95% é essencial para interromper a transmissão do vírus.

Renato Kfouri, infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, adverte que a dinâmica dessa doença, especialmente em uma cidade internacional como São Paulo, que recebe um grande número de visitantes diariamente, requer atenção redobrada.

O ciclo de incubação do sarampo é de aproximadamente 20 dias, com 10 dias até o aparecimento dos sintomas. Isso inclui um período de dois dias antes do surgimento da febre e mais 12 dias durante a febre, o que pode facilitar a contaminação de pessoas não vacinadas, segundo Kfouri.

A vacinação adequada garante que um indivíduo completamente imunizado não transmita o vírus do sarampo. Por outro lado, a falta de vacinação resulta em um aumento considerável do risco de contágio, dado que o vírus é transmitido por gotículas no ar ao falar ou espirrar. Para que a imunização seja eficaz, a cobertura vacinal precisa alcançar 95%, um número ainda distante da atual realidade de São Paulo.

“A vacinação e a vigilância são cruciais para manter o Brasil livre do sarampo. É necessário um monitoramento rigoroso e a imunização dos contatos em caso de novos casos”, afirma Kfouri, enfatizando a complexidade do controle em um cenário marcado por intensa movimentação internacional.

Kfouri ressalta que áreas com baixa cobertura vacinal são particularmente vulneráveis a surtos, destacando a importância de uma vacinação uniforme. Campanhas de reforço vacinal são indispensáveis para alcançar aqueles que não completaram suas vacinas ou não foram devidamente imunizados.

Atualização de Casos Confirmados

Nas últimas estatísticas, 23 dos 24 casos de sarampo notificados na Grande São Paulo estão concentrados em regiões específicas, com uma cadeia de transmissão notável entre grupos comunitários. Os bairros Vila Medeiros e Vila Maria, na zona norte, se destacam como os locais de maior incidência. A origem desses contágios está ligada a uma escola de educação infantil, e pelo menos um caso em Guarulhos é associado a essa rede de transmissão.

As crianças menores de um ano são as mais suscetíveis, pois ainda não foram vacinadas. Além disso, a prefeitura indicou que surtos importados contribuíram para essa nova onda, com casos originários da Bolívia e Guatemala registrados entre fevereiro e março.

“Estamos cientes dessa situação, uma vez que milhares de pessoas chegam ao Brasil diariamente, seja a turismo ou a trabalho. Esse fator, aliado aos surtos em países vizinhos, afeta diretamente nossa realidade”, complementa Kfouri.

Em comparação com o ano anterior, que registrou 39 casos, a maioria devido a importações da Bolívia, a situação atual demanda uma vigilância contínua e eficaz das equipes de saúde, capacitadas para identificar sintomas e realizar os testes necessários para o controle da doença.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.