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Comece o dia bem informado! 26 de agosto de 2026

Bacia-esponja é alternativa para combater inundações

As enchentes devastadoras ocorridas no Nepal e no Tibet, devido às chuvas intensas, ilustram uma realidade que também é encontrada em várias regiões do Brasil. Especialistas apontam que o aumento na frequência de eventos climáticos extremos é, em grande parte, uma consequência do aquecimento global.

Cecília Herzog, que atua como paisagista urbana na Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (Recn), ressalta a importância de que a adaptação às mudanças climáticas transcenda os limites urbanos, necessitando de um planejamento mais abrangente que considere as bacias hídricas. “A água não respeita divisões políticas; entender seus processos naturais e fluxos é fundamental”, declara.

Para lidar com essa situação, Herzog propõe a adoção do conceito de bacia-esponja, inspirado na ideia de cidade-esponja desenvolvida pelo arquiteto chinês Yu Kongjian. Esse modelo foca no tratamento dos rios, aumentando a capacidade das bacias hidrográficas em absorver, reter e reutilizar a água da chuva por meio de práticas sustentáveis.

“O gerenciamento deve ser iniciado na cabeceira da bacia e estender-se até a foz, incluindo as áreas periféricas que impactam a qualidade e a quantidade da água nos rios”, detalha ela.

Juliana Baladelli Ribeiro, gerente da Fundação Grupo Boticário, complementa essa visão ao afirmar que limitar o escoamento nas estruturas dos próprios rios pode ser uma abordagem mais eficaz do que apenas tentar mitigar os efeitos das chuvas nas áreas urbanas. “Frequentemente, a água que gera problemas nas cidades já foi acumulada ao longo da bacia antes de chegar lá”, explica.

As intervenções recomendadas envolvem a proteção das nascentes nas partes altas das bacias e a recuperação das florestas nas margens, essenciais para preservar a conectividade da vegetação e os ciclos de água. Juliana destaca que, embora seja vital intervir nas bacias, também é crucial melhorar o escoamento nas cidades, criando espaços como parques urbanos e jardins de chuva que ajudem a regular o fluxo hídrico.

De acordo com as especialistas, a gestão integrada das bacias hidrológicas que utiliza o conceito de bacia-esponja já mostrou resultados positivos em diversos países, mas cada estratégia precisa ser ajustada às especificidades locais. “Importar modelos não é a solução. Devemos procurar maneiras de transformar áreas vulneráveis em paisagens mais resilientes, sempre em parceria com o saber da comunidade local”, finaliza Cecília Herzog.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.